Papa diz que a Europa está mergulhada em crise ética
Cidade do Vaticano, 22 dez (Lusa) -- O papa Bento XVI considerou hoje que a Europa está mergulhada numa crise ética e que falta aos europeus com frequência a "força motivadora" para adotar os sacrifícios necessários.
"A Europa encontra-se numa crise económica e financeira que, em última análise, se baseia numa crise ética que ameaça o Velho Continente", declarou o papa no discurso anual à Cúria romana, reunida na Sala Clementina no Vaticano.
"Mesmo que os valores como a solidariedade, o compromisso com os outros, a responsabilidade pelos pobres e as pessoas que sofrem sejam em grande parte indiscutíveis, falta frequentemente uma força motivadora, capaz de estimular o indivíduo e os grandes grupos sociais para as renúncias e os sacrifícios", declarou Bento XVI, no discurso dedicado "à nova evangelização", prioridade do seu pontificado.
"Desta crise surgem perguntas muito fundamentais: onde está a luz que pode iluminar o nosso conhecimento não só com ideias gerais, mas também com imperativos concretos? Onde está a força que eleva a nossa vontade? Estas são perguntas às quais o nosso Evangelho, a nova evangelização, deve responder", adiantou.
O papa, de 84 anos, que apresentava um ar cansado e a quem os cardeais saudaram longamente uns depois dos outros, falou dos jovens como atores essenciais na "nova evangelização".
Bento XVI falou longamente sobre as Jornadas Mundiais da Juventude em Madrid em agosto, insistindo "na alegria" dos jovens presentes, além da universalidade, que faz com que "separação e diversidade exteriores sejam relativizadas".
"O fator decisivo desta alegria é a certeza que provém da fé: eu sou querido. Tenho uma missão. Sou aceite, sou amado", referiu Bento XVI.
Durante o discurso, o papa também se referiu à "reforma da Igreja" pedida por largos setores de fiéis e de padres na Europa e na América do Norte.
"Há debates sem fim sobre aquilo que é necessário para inverter a tendência. Certo, é necessário fazer muitas coisas! Mas apenas isso não resolve o problema. O centro da crise da Igreja na Europa é a crise da fé. Se não encontramos uma resposta para isto... todas as outras reformas não encontrarão uma resposta para esta (...) todas as outras reformas serão ineficazes", defendeu.
O antigo professor de teologia Joseph Ratzinger, papa há seis anos e meio, insistiu na missão de levar a mensagem credível e audível regressando aos fundamentos da fé.
Mas alguns na Igreja reprovam Bento XVI por este recusar as reformas que exigem um mundo em rápida mutação.