Papa diz que evita ler acusações de heresia para preservar a "saúde mental"

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O Papa Francisco explicou a membros da Companhia de Jesus que, para preservar a sua "saúde mental", "conhece mas não lê" as acusações de heresia formuladas pelos grupos opositores católicos.

A revelação do chefe da igreja foi transmitida ao grupo de jesuítas com quem se encontrou no Chile, durante a deslocação oficial que realizou no passado mês de Janeiro.

"Por saúde mental eu não leio as páginas da internet da chamada 'resistência'. Sei quem são, conheço os grupos, mas não os leio, simplesmente para preservar a minha saúde mental. Quando há alguma coisa séria informam-me para que tome conhecimento. É um desgosto, mas é preciso seguir em frente", disse Francisco aos jesuítas de Santiago do Chile.

A conversa com os jesuítas vai ser publicada na próxima edição da revista da Companhia de Jesus, Civilta Católica, sendo que alguns extratos foram editados hoje no jornal italiano Corriere della Sera.

O Papa Francisco acrescenta que é normal que exista oposição quando se levam a cabo mudanças e destaca que quando sente que existe resistência tenta dialogar mesmo que as críticas tenham origem em pessoas que acreditam estar na posse da verdadeira doutrina e que lançam acusações de heresia.

Existem várias páginas disponíveis na internet contra Francisco, assim como se verificam episódios em que jornalistas, teólogos e membros da igreja católica questionam as ações e palavras do Papa.

Recentemente foi divulgado através da internet um documento assinado por 60 historiadores, teólogos e sacerdotes que assinalam "sete possíveis heresias" contidas na exortação "Amoris Laetitia" e pedem ao Papa a revisão do texto.

Também é conhecida a posição de quatro cardeais: Raymond Burke, Walker Brandmuller, Carlo Cafarra e Joachim Meisner, que escreveram uma carta ao Papa sobre quatro dúvidas doutrinárias sobre o mesmo documento ("Amoris Laetitia") solicitando esclarecimentos.

Em conversa com os membros da Companhia de Jesus, no Chile, Francisco também reiterou que os casos de abusos a menores por parte dos membros do clero são a "maior desolação que a igreja está a sofrer" acrescentando que é preciso demonstrar profunda vergonha, sobre a questão.

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