Papa Leão XIV avalia convite de Trump para integrar Conselho de Paz

Para já, o chefe da Santa Sé não recusou o convite de Donald Trump.

RTP /
Foto: Remo Casilli - Reuters

O presidente norte-americano, Donald Trump, convidou a Santa Fé a integrar o Conselho de Paz recentemente formado e o papa Leão XIV está a analisar a proposta, de acordo com a indicação do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.O “Conselho de Paz”, promovido por Trump, é um novo organismo internacional pensado para intervir na resolução de conflitos armados, ao qual 60 países foram convidados para serem membros fundadores, incluindo Portugal.

“Recebemos esse convite. O papa também o recebeu e estamos a avaliar o que fazer. Estamos a analisar a situação”, afirmou o cardeal Pietro Parolin, acrescentando que Trump “está a convidar vários países para participarem” e que também a Itália “está a refletir sobre a possibilidade de aderir”, segundo a agência Lusa.

A proposta tem suscitado forte controvérsia internacional. De acordo com uma cópia do documento obtida pela agência France Presse (AFP), o acesso a um lugar permanente no Conselho implica uma contribuição de “mil milhões de dólares” (cerca de 854,3 mil milhões de euros).

Trump, que tem sido um crítico persistente da ONU - criada em 1945 e que conta atualmente com 193 Estados-membros - pretende liderar pessoalmente o novo organismo.

O presidente norte-americano será o primeiro presidente do Conselho de Paz, com poderes extensos, incluindo a faculdade exclusiva de convidar ou afastar chefes de Estado e de governo, salvo veto de uma maioria de dois terços dos membros.O conselho executivo, dirigido por Trump, deverá integrar sete figuras, entre as quais o secretário de Estado Marco Rubio, o emissário especial Steve Witkoff, o genro do Presidente Jared Kushner e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Vários países já aceitaram o convite. O Egito anunciou que o presidente Abdel Fattah al-Sissi deu luz verde à participação, tal como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Também aderiram o rei Mohamed VI de Marrocos, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed ben Zayed Al Nahyane, o rei do Bahrein, Hamad ben Issa al-Khalifa, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Azerbaijão, Ilham Aliyev, bem como os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orbán, e da Arménia, Nikol Pashinyan, segundo a agência Lusa.

Em sentido oposto, cerca de uma dúzia de países já recusaram integrar o Conselho. A França fez saber, através do círculo próximo do Presidente Emmanuel Macron, que “não pode dar seguimento favorável ao convite nesta fase”, posição que levou Trump a ameaçar impor tarifas de 200 por cento sobre vinhos e champanhes franceses.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter recebido o convite, mas afirmou não se imaginar “a participar ao lado da Rússia”, uma vez que Vladimir Putin também consta da lista de convidados. A Noruega anunciou igualmente que não irá participar.Portugal recebeu o convite para integrar o Conselho de Paz a 16 de janeiro, mas ainda não tomou uma decisão.

Enquanto o debate internacional se intensifica, o Vaticano mantém uma posição prudente. Para já, como resumiu o cardeal Parolin, a Santa Sé limita-se a “avaliar” uma proposta que poderá redesenhar o atual equilíbrio da diplomacia internacional.
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