Papa visita Birmânia em plena crise com o povo Rohingya

por Inês Geraldo - RTP
Visita do Papa Francisco a Myanmar causa preocupação Reuters

O Papa Francisco chegou esta segunda-feira à Birmânia para uma viagem que se vai estender ao Bangladesh nos próximos dias. De acordo com fontes oficiais próximas do Papa, esta viagem serve para reconhecer a comunidade católica em Myanmar mas há receios de que Francisco fale da limpeza étnica que o povo rohingya está a sofrer, algo que pode causar ainda mais violência.

A expetativa em relação à visita do Papa Francisco à Birmânia é grande. Uma das maiores cidades de Myanmar, Yangon, preparou-se para a chegada do líder da Igreja Católica com pompa e circunstância.

É a primeira vez que um Papa visita uma nação maioritariamente budista. Entre a comunidade católica do país há um grande entusiasmo, temperado com algum medo. Tudo por causa da crise que atinge a minoria rohingya no estado de Rakhine.

O país é acusado de estar a dar azo a uma limpeza étnica no norte do país e a comunidade católica de Myanmar teme que as palavras do Papa Francisco possam dar origem a mais confrontos.

Os responsáveis birmaneses negam as acusações. Esta terça-feira, o líder da igreja católica vai encontrar-se com Aung San Suu Kyi, a líder do governo de Myanmar. Na quarta-feira e quinta-feira, o Papa Francisco vai ser anfitrião de duas missas na cidade de Yangon, antes de ir para o Bangladesh, onde vai visitar os refugiados rohingya.

Na última semana, Birmânia e Bangladesh chegaram a um acordo que abre caminho para o regresso de 650 mil refugiados rohingya, sem que tenham sido especificadas condições. A Birmânia não reconhece cidadania à minoria muçulmana.

Na comunidade católica há o medo de que o Papa possa falar sobre a situação com os rohingya, até porque o líder da igreja católica já se pronunciou várias vezes sobre o que está a acontecer com a minoria muçulmana, tendo apelidado o grupo de “irmãos e irmãs”.

Líderes nacionalistas têm criticado a escolha temporal da visita do Papa Francisco. Muitos perguntam-se qual é o objetivo do chefe da igreja católica com a visita à Birmânia, e pedem-lhe que tenha cuidado e não desperte sentimentos de ódio entre comunidades religiosas.

Para além de Aung San Suu Kyi, o Papa Francisco vai juntar-se com o presidente birmanês Htion Kyaw e com Min Aung Hlaing, chefe das forças armadas birmanesas. De seguida, o Pontífice segue viagem até ao Bangladesh.
Tópicos
pub