Paquistão desmente entrega de urânio enriquecido ao Irão
Islamabad desmentiu hoje acusações da oposição iraniana segundo as quais o "pai" da bomba atómica paquistanesa, Abdul Qadeer Khan, entregou urânio enriquecido a Teerão, em 2001.
"São afirmações completamente exageradas, fruto da imaginação de alguém", ironizou um membro do executivo paquistanês, sob anonimato, na sequência de uma denúncia feita em Viena por um responsável do Conselho Nacional da Resistência Iraniana (Mujaidines do Povo).
De acordo com esta fonte, Khan teria entregue em 2001 "uma determinada quantidade" de urânio enriquecido utilizado pelo militares iranianos em programas nucleares secretos paralelos aos que têm fins civis, com o objectivo de dotar Teerão com a bomba atómica em 2005.
O mesmo elemento do executivo paquistanês adiantou que Islamabad deu a conhecer à comunidade internacional os resultados das investigações à alegada exportação ilegal de tecnologia nuclear, tornada pública em Fevereiro por Khan, quando admitiu ter entregue material sensível à Coreia do Norte e Líbia.
Islamabad "coopera igualmente com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA)", acrescentou, apesar de as autoridades paquistaneses terem recusado que esta instância da ONU realizasse uma investigação própria à confissão de Khan.
O presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, perdoou na altura a Khan, garantindo que nenhum responsável civil, ou militar, estava envolvido em qualquer rede de exportação de tecnologia nuclear.