Paquistão diz ter atingido 10 locais no Afeganistão usados em ataques com drones

Paquistão diz ter atingido 10 locais no Afeganistão usados em ataques com drones

O Paquistão disse hoje que realizou ataques aéreos no Afeganistão, contra 10 locais, alegadamente utilizados para lançar ataques com drones contra território paquistanês na quarta-feira.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O Paquistão tem acusado repetidamente o governo talibã do Afeganistão de permitir que redes de militantes fundamentalistas islâmicos operem a partir do seu território e realizem ataques através da fronteira, uma acusação que Cabul nega.

"Em vez de desmantelar estas redes e tomar medidas credíveis e verificáveis contra aqueles que utilizam o território afegão para perpetrar atos de terrorismo contra o Paquistão, o regime talibã afegão optou por escalar a situação através de operações hostis com drones contra o Paquistão", acusou o ministro da Informação paquistanês.

"Os ataques foram deliberados, precisos, calibrados e proporcionais, limitando-se estritamente a alvos militares identificados e diretamente ligados às tentativas de ataque contra o Paquistão", acrescentou Attaullah Tarar, na rede social X.

Um residente de Kandahar, onde vive o líder supremo das autoridades talibãs, afirmou à agência de notícias France-Presse que a cidade, situada no sul do país, foi alvo de um ataque.

A testemunha ouviu o ruído de um avião a jato, seguido de uma forte explosão, e assistiu a um incêndio no centro da segunda maior cidade do Afeganistão, onde reside o líder supremo do governo talibã, Hibatullah Akhundzada.

O anúncio surgiu um dia do Paquistão ter acusado as forças talibãs afegãs de lançarem oito drones rudimentares contra a cidade de Kohat, no noroeste, e a cidade fronteiriça de Torkham, que foram neutralizados.

As autoridades de Islamabad alegaram ainda que as forças talibãs afegãs dispararam morteiros e outras armas pesadas contra postos fronteiriços, logo após tropas paquistaneses terem frustrado o que descreveram como uma tentativa de militantes de atravessar a fronteira.

Também na quarta-feira, o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, negou que as forças afegãs tivessem levado a cabo qualquer ataque.

As declarações contraditórias surgiram dois dias depois de caças paquistaneses terem atingido locais no leste do Afeganistão que, segundo Islamabad, serviam de esconderijo para militantes.

A nova escalada de tensão ameaça os esforços de mediação liderados pela China, Turquia, Qatar e Arábia Saudita para alcançar uma paz duradoura entre Cabul e Islamabad.

À margem da sessão anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, manifestou preocupação com o que descreveu como a presença de mais de duas dezenas de grupos militantes anti-Paquistão no Afeganistão.

Os talibãs paquistaneses, formalmente conhecidos como Tehrik-e-Taliban Pakistan, intensificaram os ataques às forças de segurança do Paquistão, impulsionados pelo regresso dos talibãs afegãos ao poder no Afeganistão, em 2021.

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