Paquistão. Ex-primeiro-ministro apresentado a juiz entre aumento dos protestos

O ex-primeiro-ministro paquistanês Imran Khan já foi apresentado a um juiz em Islamabad, cerca de 24 horas depois de ter sido detido por dezenas de paramilitares por suspeitas de corrupção. A detenção desencadeou protestos dos seus apoiantes por todo o país.

RTP /
O partido Tehreek-e-Insaf pediu aos apoiantes do ex-primeiro-ministro que saíssem novamente às ruas para protestarem contra a detenção de Khan. Fayaz Aziz - Reuters

No Estado mais populoso do Paquistão, o Punjab, cerca de mil pessoas acabaram detidas e o exército foi mobilizado. Pelo menos 25 veículos da polícia foram incendiados na região, havendo registo de 130 agentes feridos nos confrontos.

Segundo as autoridades, mais de uma dúzia de edifícios do Governo foram pilhados, alegadamente pelos apoiantes de Imran Khan.
O Gabinete Nacional de Responsabilização, agência do Governo paquistanês que combate a corrupção, deteve Khan pelo seu alegado envolvimento num caso de corrupção e determinou a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro durante duas semanas.Na noite de terça-feira, uma decisão oficial dos tribunais classificou como legal a detenção.

Imran Khan estava no Supremo Tribunal de Islamabad quando foi detido. O antigo primeiro-ministro quer voltar ao poder, apesar de ser visado em dezenas de processos.

Esta quarta-feira, enquanto compareceu perante um juiz numa esquadra, as forças de segurança foram destacadas no exterior do edifício. A polícia disparou gás lacrimogéneo contra a multidão que se acumulou perto das barreiras, havendo relatos de manifestantes a atirarem pedras contra os agentes e a incendiarem uma viatura.

O advogado de Imran Khan tinha pedido que a audiência tivesse lugar num tribunal público, e não a portas fechadas na esquadra da polícia. Avançou ainda que não recebeu o relatório do inquérito do Gabinete Nacional de Responsabilização sobre o caso.

“Toda a gente tem direito a um julgamento justo”, defendeu, criticando a atuação das autoridades.
Ex-ministro das Finanças também detido
Vários membros do partido de Khan, o Tehreek-e-Insaf (PTI), têm condenado a detenção do ex-primeiro-ministro, classificando-a de “sequestro pelo Estado” e criticado o facto de a audiência ter sido improvisada na esquadra.

O PTI diz ainda que advogados e figuras do partido estão a ser impedidos de comunicarem com Khan. O partido já contactou o Supremo Tribunal do Paquistão para contestar a legalidade da detenção.

O líder do PTI, Shah Mahmood Qureshi, avançou entretanto que o partido está a trabalhar para garantir a libertação do antigo líder e frisou que não será dissuadido pelas detenções e intimidações.

Esta quarta-feira, um outro alto dirigente do partido foi também detido. Trata-se do secretário-geral e ex-ministro das Finanças, Asad Umar, preso por funcionários do departamento de contraterrorismo e da polícia de Islamabad.

A detenção aconteceu enquanto Umar estava no exterior de um tribunal de Islamabad, onde se dirigiu para apresentar um pedido de encontro com Imran Khan. Na origem da detenção estará o envolvimento do ex-ministro em dois casos relacionados com os protestos que eclodiram após a detenção de Khan.
Apoiantes de Khan mantêm protestos
Os protestos continuam esta quarta-feira por todo o Paquistão. O partido Tehreek-e-Insaf pediu aos apoiantes que saíssem novamente às ruas para protestarem contra a detenção de Khan, mas de forma pacífica.

“Não façam justiça com as próprias mãos”, disse o líder do partido. “Eles estão à procura de desculpas para registarem casos falsos de agressões. Estão à procura de desculpas para vos pressionarem. Não lhes deem hipótese”, apelou.

As manifestações levaram o Governo a desativar o acesso à internet móvel e a redes sociais como o Twitter, YouTube e Facebook. As escolas e universidades no Estado de Punjab foram encerradas.

c/ agências
Tópicos
PUB