Paquistão. Investigação revela licenças falsas de pilotos após desastre de avião

A maior companhia aérea do Paquistão suspendeu a atividade de mais de um terço dos seus pilotos por suspeitas de que estes possuem licenças de aviação falsas, depois de no mês passado a queda de um avião dessa companhia ter provocado 98 mortes. A decisão chega na altura em que o Governo paquistanês avançou que as licenças de mais de 30 por cento dos pilotos do país foram obtidas ilegalmente.

RTP /
Foto: Caren Firouz - Reuters

Na quarta-feira, o ministro paquistanês da Aviação revelou que mais de 30 por cento dos pilotos civis possuem licenças falsas e não estão qualificados para voar. Pelo menos 262 pilotos do país “não realizaram os exames”, tendo pagado a outras pessoas para os realizarem por si.

“Não têm experiência de voo”, acrescentou Ghulam Sarwar Khan.

O Paquistão tem 860 pilotos ativos ao serviço das suas linhas aéreas domésticas, que incluem a principal companhia aérea do país, a Pakistan International Airlines, e também companhias aéreas para voos internacionais.

Por essa razão, cerca de 150 dos 426 pilotos da Pakistan International Airlines passam a estar proibidos de voar. A 22 de maio, um Airbus A320 dessa companhia despenhou-se numa área residencial da cidade de Karachi, matando quase uma centena de pessoas e danificando dezenas de habitações. Apenas dois passageiros sobreviveram.

Em declarações à comunicação social, a Pakistan International Airlines não esclareceu se os dois pilotos responsáveis pelo desastre tinham ou não licenças falsas.

“A Pakistan International Airlines sublinha que as licenças falsas não são um problema apenas nosso, mas que está espalhado por toda a indústria aérea do Paquistão”, esclareceu um porta-voz da empresa, Abdullah Khan.
Pilotos distraídos com conversa sobre a Covid-19
A investigação preliminar ao desastre aéreo, entregue esta semana ao ministro paquistanês da Aviação, revelou uma série de erros cometidos pelos pilotos, que alegadamente se distraíram de tal forma enquanto conversavam sobre o novo coronavírus que ignoraram três avisos de que estavam a voar demasiado alto.

“Os pilotos estavam a discutir o novo coronavírus durante o voo. Não estavam focados. Falaram sobre o vírus e sobre como as suas famílias estavam a ser afetadas pelo mesmo”, explicou o porta-voz da empresa, acrescentando que os profissionais aparentavam ter “excesso de confiança”.

Depois de ignorarem os avisos dos controladores de tráfego aéreo, os pilotos tentaram aterrar, mas não ativaram o dispositivo de aterragem, agravando o acidente. “A aeronave tocou na pista diretamente com os motores”, provocando faíscas e danos irreparáveis, concluiu o relatório inicial.

Os pilotos tentaram, de seguida, voltar a fazer voar o avião, mas os motores danificados falharam e levaram à queda do aparelho.

O desastre aéreo de 22 de maio aconteceu três dias depois de o Paquistão ter retomado os voos, que até então estavam suspensos devido à pandemia de Covid-19.
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