Paris solidariza-se com Praga após discurso polémico de político checo em Taiwan
A França manifestou hoje solidariedade com a República Checa após as ameaças da China face às declarações de um responsável político checo de visita a Taiwan que Pequim considerou inaceitáveis.
"As relações euro-chinesas devem assentar no diálogo, no princípio da reciprocidade e no respeito mútuo, condições essenciais para o aprofundamento da nossa parceria", declarou a porta-voz do ministério francês dos Negócios Estrangeiros.
"Nesta perspetiva, não é aceitável qualquer ameaça dirigida a um Estado-membro e manifestamos a nossa solidariedade à República Checa", acrescentou Agnès von der Mühll.
O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, classificou como uma "provocação" a vista do presidente do Senado checo, Milos Vystrcil, a Taiwan e declarou que deveria "pagar caro" pela sua "falta de visão e as suas especulações políticas".
O ministro checo dos Negócios Estrangeiros convocou na segunda-feira o embaixador da China em Praga para solicitar explicações, ao considerar que estas declarações foram "longe demais".
A China considera Taiwan uma das suas províncias e condena os contactos oficiais entre a ilha de 23 milhões de habitantes e responsáveis oficiais estrangeiros.
"Sou taiwanês", declarou hoje Milos Vystrcil em mandarim, perante os deputados do parlamento local, invocando especificamente no seu discurso a memória do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy que, durante a Guerra Fria, em 1963, afirmou em alemão "Ich bien ein Berliner" ("Eu sou um Berlinense", em português) aos residentes da parte ocidental de Berlim, então preocupados com a ameaça do bloco soviético.
Esta visita do responsável checo, que se vai prolongar por cinco dias, ocorre algumas semanas após a deslocação do ministro da Saúde norte-americano, Alex Azar, o mais importante representante do Governo dos EUA a deslocar-se à ilha após Washington ter decidido reconhecer Pequim em detrimento de Taiwan em 1979.
China e Taiwan constituem dois territórios autónomos desde 1949, quando o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.
No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e ameaça usar a força caso a ilha declare a independência.
Vystrcil, que usou uma máscara branca adornada com as bandeiras da República Checa e de Taiwan, chefia uma delegação de 90 pessoas, cuja visita a Taiwan foi denunciada por Pequim como um "ato hediondo" e "traição internacional".