Parlamento alemão veta de novo eleição de Lothar Bisky para vice-presidente
O Bundestag (Parlamento Alemão) voltou hoje a recusar, por maioria, a eleição do presidente do Linkspartei- PDS, Lothar Bisky, para uma das seis vice-presidências.
Em escrutínio secreto, 310 deputados pronunciaram-se contra a eleição de Bisky, 249 a favor e 36 abstiveram-se.
O presidente do grupo parlamentar do Linkspartei-PDS, Oskar Lafontaine, anunciou após a votação que o seu partido irá promover uma "acesa discussão" sobre a forma como o Bundestag lida com políticos oriundos da Alemanha de Leste, a extinta RDA.
Por sua vez, Gregor Gysi, também chefe da bancada do PDS, advertiu para o significado da rejeição de Bisky como vice-presidente do Bundestag no leste do país.
"Temos de dizer a milhões de pessoas no leste que são bem- vindas à Alemanha, e não estar sempre a dizer-lhes que não os queremos cá", afirmou Gysi, também ele oriundo da ex-RDA.
Bisky, 64 anos, precisava apenas da maioria simples para ser eleito, e o PDS tem direito a uma das seis vice-presidências do Bundestag, como prevê o regulamento desta câmara legislativa.
Na sessão constituinte do Parlamento, a 18 de Outubro, a maioria dos deputados elegeu o presidente do Parlamento, Norbert Lammert, e mais cinco vice-presidentes de outros partidos, mas barrou a eleição de Bisky, em três votações consecutivas.
O Conselho dos Anciãos do Bundestag reuniu-se posteriormente e decidiu que haveria hoje uma quarta votação, e que Bisky, desta vez, só precisaria da maioria simples para ser eleito, mas mesmo assim o presidente do PDS foi vetado pelo hemiciclo.
Apesar de vários dirigentes dos partidos do futuro governo de coligação, CDU/CSU e SPD, que têm as duas maiores bancadas parlamentares, se terem pronunciado a favor de Bisky, sobretudo os deputados democratas-cristãos e liberais continuaram a votar contra a sua eleição.
Vários deputados alegaram que Bisky teria de renunciar primeiro à presidência do PDS, para ter a necessária isenção que se espera de um vice-presidente do Bundestag.
Outros justificaram o voto contra com alegados contactos que Bisky, um leste-alemão, manteve com a STASI, polícia política da extinta RDA, enquanto reitor da Escola Superior de Cinema e Televisão de Potsdam-Babelsberg, ou em importantes funções anteriores ao serviço do regime comunista.
Dirigentes do PDS anunciaram que tencionam agora renunciar à vice-presidência do Bundestag que lhes foi atribuída, a não ser que o próprio Bisky sugira outro candidato.
A recusa da maioria dos deputados de eleger um vice- presidente, mesmo após várias votações, não tem precedentes na história do Bundestag, desde a fundação da Alemanha federal, em 1949.