Parlamento Europeu vê demolição de vila palestiniana como crime de guerra

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Crianças caminham para a escola na vila de Khan al-Ahmar
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O Parlamento Europeu aprovou esta quinta-feira uma resolução em que considera que Israel estará a violar as leis humanitárias internacionais e a originar um crime de guerra caso avance com a decisão de evacuar e demolir a vila palestiniana de Khan al-Ahmar, situada na Cisjordânia.

A decisão israelita foi aprovada na passada semana, quando o Supremo Tribunal do país rejeitou os apelos dos moradores da vila e aprovou o despejo e a demolição da mesma. Khan al-Ahmar foi erguida em propriedade do Estado e as habitações foram construídas sem licenças.

Esta quinta-feira, as forças de segurança israelitas já começaram a destruir infraestruturas nos arredores da vila, deitando abaixo cinco cabanas construídas por palestinianos nos últimos dias para abrigar ativistas.

A resolução do Parlamento alerta as autoridades israelitas para as repercussões da destruição de Khan al-Ahmar e frisa que, de acordo com a quarta Convenção de Genebra, “a evacuação forçada de um território ocupado é proibida, exceto em situações em que a segurança da população ou razões militares imperativas a exijam”.O Parlamento Europeu diz que a UE deverá garantir que Israel fornece as comodidades básicas aos palestinianos que serão expulsos da vila.

O Parlamento Europeu considera que a violação destes princípios é também uma violação das leis humanitárias internacionais e constitui um crime de guerra, pedindo a Israel que acabe com a “política de ameaças de demolições e evacuações contra as comunidades beduínas” que vivem na Cisjordânia e no deserto do Negev.

Na resolução é ainda pedido à União Europeia que exija ao Governo israelita uma indemnização para cobrir os fundos que já foram investidos na vila. Estima-se que a UE já tenha gasto cerca de 315 mil euros em infraestruturas que serão, agora, demolidas.
União Europeia não vai desistir
Federica Mogherini, diretora de política externa na União Europeia, afirmou na terça-feira que a demolição colocará em risco a possibilidade de uma solução definitiva para os dois Estados. “A vila está localizada na área E1, que possui uma importância estratégica para o futuro do Estado Palestiniano”, garantiu.

A construção de instalações israelitas em conjunto com a demolição de habitações palestinianas “apenas vai fortalecer a realidade de um Estado único, com desigualdades nos direitos dos dois povos, ocupações perpétuas e conflitos”, acrescentou. “A União Europeia não vai desistir de uma solução que resulte em dois Estados”.

Também a Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido divulgaram uma declaração conjunta em que revelam opor-se à destruição de Khan al-Ahmar.

Saeb Erekat, o principal negociador palestiniano, declarou na terça-feira que foi feita uma petição ao Tribunal Internacional de Justiça para iniciar os procedimentos legais contra Israel na sequência da decisão sobre Khan al-Ahmar.

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Khan al-Ahmar, Palestina, Parlamento Europeu, Israel,

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