Parlamento moçambicano discute redução de três zeros no metical

O parlamento moçambicano iniciou hoje em Maputo o debate de uma proposta do governo de redução de dígitos na moeda do país, cuja inflação galopante levou a um excessiva cunhagem de números na sua unidade monetária.

Agência LUSA /

Na proposta de lei sobre a nova numeração, o governo argumenta que a estabilidade económica que o país tem registado nos últimos anos, com uma taxa média de inflação de um dígito, criou condições apropriadas para a redução do número de dígitos do Metical, a moeda com curso legal em Moçambique.

Falando sobre a medida, o ministro das Finanças, Manuel Chang, afirmou que o executivo pretende a supressão de três zeros nas notas e moedas para facilitar a circulação do dinheiro, a escrituração mercantil e o processamento pelas máquinas automáticas e de pagamento nos bancos.

Referindo-se às razões que estiveram por detrás do acréscimo dos dígitos na moeda moçambicana, a proposta sustenta que "os ajustamentos estruturais decorrentes da implementação do Programa de Reabilitação Económica e Social se reflectiram nos custos dos factores de produção e como consequência no nível geral de preços, o que se traduziu em constrangimentos de vária ordem".

O metical tem como denominação máxima a nota de 500 mil, seguida das de 200 mil meticais, 100 mil, 50 mil, 20 mil e a última de 10 mil meticais, às quais o Governo pretende, a partir de Janeiro, reduzir três dígitos.

Resquícios do tempo colonial, os milhares de meticais são conhecidos como "contos", o que significa que na gíria o actual contravalor de um euro pode ser descrito como 33 mil meticais ou 33 contos.

Mas as duas bancadas da Assembleia da República, a FRELIMO, no poder, e a RENAMO-União Eleitoral, estão divididas quando à proposta, pois a oposição entende que as novas notas e moedas que se pretendem introduzir deviam incluir novos símbolos nacionais.

Nesse sentido, a RENAMO defende que a Assembleia da República devia mudar primeiro os símbolos nacionais, nomeadamente a bandeira e o emblema, pois os actuais são do tempo do monopartidarismo.

Nas actuais notas e moedas da unidade monetária moçambicana estão estampadas imagens dos dirigentes da FRELIMO, nomeadamente os primeiros três presidentes da organização: Eduardo Mondlane, Samora Machel e Joaquim Chissano.

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