Parlamento moçambicano pede plano para reter pacientes em tratamento ao VIH
O gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida pediu hoje ao Governo moçambicano estratégias para reter pacientes em tratamento antirretroviral (TARV) e apoio do setor privado nesse combate, quando 1,9 milhões estão em tratamento.
"Para abordar a situação da resposta ao VIH é necessário que seja de forma holística, que vá além dos ambientes clínicos tradicionais, necessitando um maior acesso aos serviços de diagnóstico, aumento da retenção de pacientes através de programas de apoio liderados pela comunidade", disse a presidente do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida, Zainaba Andala.
Ao apresentar, no parlamento, a informação sobre VIH em Moçambique referente a 2025, a deputada disse que é necessário agora o Governo avançar com a otimização da coordenação entre as partes interessadas e enfrentar os fatores socioculturais que levam ao estigma.
"Apesar de inúmeros avanços científicos na prevenção e tratamento do VIH, bem como amplos esforços de sensibilização, o estigma e a discriminação permanecem como barreiras significativas ao progresso na resposta global ao HIV. Tais questões constituem uma preocupação central da Estratégia Global Contra a SIDA da ONU Sida, cujo objetivo é a eliminação das desigualdades", acrescentou.
Neste sentido, apelou à criação de mecanismos para a sustentabilidade do financiamento da resposta, incluindo o reforço à Prevenção da Transmissão Vertical (PTV) para acabar com o VIH como ameaça de saúde pública até 2030, assegurando o acesso atempado e contínuo das mulheres grávidas e lactantes aos serviços, o diagnóstico precoce, tratamento e seguimento das crianças expostas.
Para o parlamento, a dependência de financiamento externo na resposta ao VIH permanece um desafio crítico, destacando a urgência de mobilizar recursos domésticos, defendendo que o país precisa de estar preparado para liderar, implementar e monitorar a sua resposta de forma independente e a longo prazo, criando condições para reduzir gradualmente e de forma progressiva sua dependência de financiamento externo.
"Mobilizar o governo e o setor privado para providenciar apoio no combate ao VIH, incluindo implementação de políticas e fortalecimento das capacidades das redes de Pessoas que Vivem com VIH", pediu a deputada.
Este gabinete recomendou igualmente a introdução e financiamento de tecnologias biomédicas inovadoras e expandir o acesso aos serviços de prevenção, testagem, cuidados e tratamento do VIH, particularmente nas comunidades de elevada carga da doença e entre as populações desproporcionalmente afetadas.
Segundo a informação apresentada, 223.080 pessoas maiores de 15 anos iniciaram no ano passado o tratamento a esta epidemia, e pelo menos 12.072 menores, dos 0 aos 14 anos iniciaram o mesmo tratamento, com os dados a indicarem que, no global, 1.975.601 pessoas estão em tratamento.
Moçambique é o terceiro país no mundo com mais pessoas com VIH e o segundo em termos de novas infeções, com prevalência de 12,5% em adultos com mais de 15 anos, sendo mais alta em mulheres (15%) do que em homens (9,5%), segundo dados divulgados hoje.
Moçambique mantém as mesmas estimativas dos anos anteriores em relação ao VIH, com um total de 2.480.000 pessoa a viver com a doença, 92.000 novas infeções por ano e 44.000 mortes relacionadas ao vírus.
Em 2025 foram realizados 12.631.193 testes de VIH, representando uma redução de 3% em relação a 2024, com o gabinete parlamentar a alertar que a redução do número de testes realizados compromete a identificação precoce de novos casos e pode resultar em diagnóstico tardio maior transmissão de HIV.
Os dados indicam que 96% da rede das unidades sanitárias oferecem tratamento, quando pelo menos 253.741 pessoas iniciaram em 2025 a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), conforme informação avançada.