Parlamento português condena "tratamento degradante" de ministro israelita aos ativistas da flotilha

Parlamento português condena "tratamento degradante" de ministro israelita aos ativistas da flotilha

Em causa estão ações partilhadas por Itamar Ben-Gvir em que o próprio ministro aparece a humilhar detidos da flotilha humanitária Global Sumud, no mês passado. O vídeo mostrava dezenas de ativistas com as mãos amarradas atrás das costas e com as cabeças no chão.

Lusa /
Foto: Jack Guez - AFP

Entre os cinco projetos de voto aprovados encontra-se a iniciativa do PS que condena a "detenção por forças navais israelitas, de cidadãos portugueses em águas internacionais" e do Livre, que condena a interceção das embarcações e o tratamento "degradante e humilhante" dos ativistas da Global Sumud pelo ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir.

Entre os ativistas detidos, encontravam-se os portugueses Nuno Gomes, Joana Rocha e Diogo Chaves.

O voto de condenação pelo "tratamento desumano infligido a ativistas detidos por forças israelitas" também do PS foi aprovado com votos a favor de todos os partidos, bem como a iniciativa da Iniciativa Liberal de condenação pelo "tratamento degradante imposto a participantes da flotilha" por Ben-Gvir.

Também foi aprovada a iniciativa do PSD que condena precisamente as ações do ministro israelita.

Após a votação na comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, os textos aprovados serão agora convertidos num texto único.

Foram rejeitados quatro diplomas, um do BE e dois do Livre, que condenavam, respetivamente, a "violação da dignidade humana dos ativistas" por Ben-Gvir, a "detenção e tortura de ativistas pelas forças israelitas" e as "detenções ilegais e violações dos direitos fundamentais de ativistas humanitários por Israel".

Foi ainda rejeitada a iniciativa do PCP que condenava as "detenções ilegais e violações dos direitos fundamentais de ativistas humanitários por Israel".

Em causa estão as ações partilhadas pelo próprio Ben-Gvir em que aparece a humilhar detidos da flotilha humanitária Global Sumud, no mês passado.

O vídeo mostrava dezenas de ativistas da flotilha, detidos em águas internacionais, com as mãos amarradas atrás das costas e com as cabeças no chão.

Como resultado desse vídeo, a França proibiu Ben-Gvir de entrar no seu território, algo que outros países como Reino Unido, Países Baixos, Polónia e Eslovénia já tinham feito antes.

O vídeo provocou uma forte condenação internacional e levou o próprio Presidente israelita, Isaac Herzog, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a criticar estas ações.

Ben-Gvir reside como colono ilegal na Cisjordânia - os colonatos violam o Direito internacional - e, como ministro da Segurança Nacional, é responsável pelo sistema prisional israelita.

Em inúmeras ocasiões defendeu a sua gestão das prisões, baseada no endurecimento das condições dos prisioneiros palestinianos, marcada por tortura, agressão sexual e privação de sono, alimentação, higiene ou medicamentos.

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