Parlamento são-tomense retoma debate da moção de censura na quarta-feira

Parlamento são-tomense retoma debate da moção de censura na quarta-feira

O parlamento são-tomense vai retomar o debate da moção de censura ao Governo na quarta-feira, após altercações que forçaram hoje a suspensão dos trabalhos, disseram à Lusa fontes parlamentares.

Lusa /

Segundo deputados das duas maiores bancadas parlamentares, a decisão foi tomada numa conferência de líderes parlamentares durante a tarde, apesar de rejeitada pelos deputados do grupo parlamentar do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP, oposição), do Movimento Basta e de alguns deputados da Ação Democrática Independente (ADI) que apoiam o Governo. 

A sessão plenária ficou marcada por discussão acesa, ânimos exaltados e trocas de acusações entre deputados.

Esteve suspensa desde as 11:00 locais (mesma hora em Lisboa), após uma denúncia contra dois deputados da ADI que estariam em situações de incompatibilidade, por exerceram cumulativamente outra atividade remunerada da Administração Pública.

Os deputados da ADI, proponentes da moção de censura, defenderam que a questão deveria ser analisada posteriormente pela comissão especializada, mas a oposição insistiu que os deputados em causa deveriam abandonar a sessão.

Sem acordo, a presidente do parlamento suspendeu a sessão, que foi depois retomada por volta das 15:30 (mesma hora em Lisboa), pela maioria dos deputados do MLSTP, cerca de oito deputados da ADI, e dois deputados do Movimento Basta.

A presidente do parlamento, Celmira Sacramento, não compareceu no plenário.

A sessão plenária foi retomada sob condução do segundo vice-presidente do parlamento, Arlindo Barbosa (MLSTP).

Minutos depois, já com os membros do Governo na sala, e quando o primeiro-ministro, Américo Ramos, discursava em defesa do executivo, um grupo de deputados da ADI irrompeu e circulou pela sala gritando, seguindo-se trocas de ameaças.

A ADI, do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, apresentou na semana passada a moção de censura ao Governo são-tomense por entender que "não tem demonstrado habilidade sustentável à governação", disse à Lusa o secretário-geral do partido.

A iniciativa surgiu também depois de o Tribunal Constitucional ter declarado inconstitucional o decreto do Presidente da República, Carlos Vila Nova, que demitiu o anterior executivo, numa decisão sem direitos retroativos, ou seja com efeito apenas para futuro.

 

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