Partido Comunista do Vietname declara "guerra sem tréguas" à corrupção
O X Congresso do Partido Comunista Vietnamita (PCV), que deverá nomear uma nova geração de dirigentes para os próximos anos, começou hoje em Hanói com apelos a uma luta sem tréguas à corrupção, declarada "inimigo número um" do regime.
A reunião suprema de um dos cinco últimos países marxistas- leninistas do planeta deverá levar, ao longo de sete dias, à renovação de mais de metade da Comissão Política, o núcleo, tão poderoso quanto impenetrável, do poder, actualmente composta por 14 membros.
O Presidente vietnamita Tran Duc Luong, 68 anos, e o primeiro- ministro Phan Van Khai, 72 anos, deverão abandonar a ribalta política após o congresso, mantendo-se contudo ainda por vários meses nas respectivas funções.
Continuavam, no entanto, as especulações quanto ao futuro do número um e secretário-geral Nong Duc Manh, 65 anos, fragilizado por um enorme caso de corrupção cujo impacto não foi ainda totalmente avaliado.
Este escândalo de desvio de milhões de dólares no Ministério dos Transportes, que faz a primeira página dos jornais há semanas, custou o posto ao ministro e enviou para a prisão um vice-ministro, um director de departamento e vários outros responsáveis.
O caso veio revelar o exaspero da opinião pública face à impunidade de que desfrutam os dirigentes do país, o seu envolvimento com o crime organizado e o clientelismo erigido em método de governação.
O Congresso "tem por tarefa olhar a verdade, rever e avaliar objectivamente os êxitos, fraquezas e defeitos", indicou o Presidente vietnamita.
Os oito dias de debates deverão ainda permitir confirmar a opção irreversível a favor da economia de mercado, 20 anos após a adopção da política da Doi Moi (Renovação).
Apesar das foices e martelos que dominam estes dias a decoração de Hanói, o Vietname tem por ambição aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC) antes de acolher, em Novembro, a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).