Partido da coligação no poder lidera resultados eleitorais provisórios em Marrocos

Partido da coligação no poder lidera resultados eleitorais provisórios em Marrocos

O Partido Autenticidade e Modernidade (PAM), que faz parte da atual coligação governamental, conquistou o maior número de lugares nas eleições parlamentares de Marrocos, segundo os resultados provisórios anunciados hoje pelo Ministério do Interior.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Fundado em 2008 por uma figura próxima do palácio real, o PAM, que integrava a maioria parlamentar que formou o governo cessante liderado pelo Reagrupamento Nacional de Independentes (RNI), terá assegurado 97 lugares.

Há dois meses, o PAM passou a contar também com Fouzi Lekjaa, titular da pasta do Orçamento e presidente da Federação Marroquina de Futebol, uma das figuras que terá maior protagonismo na nova legislatura, focada no Mundial de 2030, que Marrocos vai organizar em conjunto com Espanha e Portugal.

O RNI, do atual chefe do Governo, Aziz Akhannouch, estava em segundo, com 66 deputados na Câmara dos Representantes - a câmara baixa do Parlamento marroquino, com 395 membros - mas terá perdido 30 lugares.

O terceiro membro da coligação governamental, o Istiqlal, ficou em terceiro com 65 deputados.

O partido islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento, que tinha liderado o Governo durante uma década, fez uma campanha focada, entre outros pontos, no combate à corrupção, e quadruplicou o número de deputados, de apenas 13 em 2021 para 54.

As eleições terminaram com uma participação de 38,02% e uma abstenção de 61,98%, a maior em 20 anos e também a segunda mais alta abstenção desde a ascensão ao trono de Mohamed VI, em 1999.

Trata-se da taxa de participação mais baixa desde 2007, quando apenas 37% dos eleitores votaram, com uma abstenção de 63%.  

O dia decorreu com normalidade, exceto um incidente em Tânger (norte), onde a polícia deteve uma pessoa por uma suposta tentativa de manipulação de votos numa das mesas de votação.  

Para votar em Marrocos é necessário o cidadão inscrever-se no recenseamento eleitoral, que desta vez contou com 15,8 milhões de pessoas, numa população de cerca de 38 milhões.

Os jovens entre os 18 e os 24 anos representaram apenas 4% dos que se registaram.

As estimativas situam, no entanto, em cerca de 28 milhões o número de marroquinos com direito a voto.

Para os especialistas, esta diferença prova o desinteresse eleitoral.

A elevada abstenção tem sido uma característica recorrente nas sucessivas eleições ao longo dos últimos 25 anos naquele país.

Os assentos são distribuídos segundo um sistema calculado não com base nos votos válidos, mas no número de inscritos em cada circunscrição, o que favorece a fragmentação e impede maiorias absolutas.

Após a divulgação dos resultados oficiais definitivos, o rei Mohamed VI nomeará o novo presidente do Governo do partido que tenha obtido o primeiro lugar nestas eleições, que terá de negociar uma coligação com outras formações.

O Governo cessante, presidido pelo magnata Aziz Ajanouch, é composto pelo RNI, PAM e Istiqlal, liberais, conservadores e nacionalistas, respetivamente.

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