Partido da oposição em Taiwan conclui visita histórica à China
A primeira delegação do maior partido da oposição em Taiwan, o Kuomintang (KMT), a realizar uma visita oficial à China em mais de meio século desde que as duas margens cortaram relações, regressou hoje há ilha.
O próximo episódio na aproximação entre o KMT e a China Comunista - antigos inimigos que se defrontaram numa guerra civil - será uma visita do líder do Kuomintang, Lien Chan, ao continente chinês, em data ainda a agendar.
A China estendeu um convite oficial ao presidente do KMT na quinta-feira, num encontro em Pequim entre o "número quatro" na hierarquia política chinesa, Jia Qinglin, e o chefe da delegação do Kuomintang, Chiang Pin-kung, vice-presidente do partido.
No decorrer da visita histórica da delegação do KMT à China, os dois lados chegaram a acordo sobre uma agenda de doze pontos, onde declaram o empenho em promover uma série de áreas concretas ao nível das relações bilaterais, desde o transporte aéreo ao turismo.
Em Taiwan, o governo, liderado pelo presidente pró- independentista, Chen Chui-bian, criticou o entendimento entre o KMT e o PCC, sobretudo devido à altura em que este acontece.
A China adoptou uma controversa lei anti-secessão de Taiwan no passado dia 14, que prevê o uso de "meios não pacíficos" caso a ilha declare independência formal.
"Enquanto o governo de Taiwan e a comunidade internacional condenam a lei anti-secessão, o KMT tornou-se num instrumento da propaganda dos comunistas chineses", criticou quinta-feira Lee Yi- yang, secretário-geral do Parido Progressista Democrático - partido que governa a ilha.
O governo taiwanês sublinhou também que o KMT "não tem autorização" do governo para negociar com a China comunista.
O enviado do KMT à China rejeitou que o partido esteja a ultrapassar o governo de Taiwan.
"Eu sempre sublinhei que para os assuntos económicos não há distinção entre o governo e os partidos da oposição, ambos os lados devem fazer o seu melhor para promover as trocas económicas", referiu Chiang, em declarações aos jornalistas, em Pequim.
A visita do KMT à China tem sido cautelosamente promovida pelo partido como uma "romagem de saudade" e uma "visita económica e comercial".
"Nós esperamos poder impulsionar o progresso das relações entre as duas margens através do intercâmbio económico e comercial", declarou Chiang.
As duas margens vivem como territórios autónomos desde 1949, altura em que o Kuomintang fugiu para Taiwan, na sequência da derrota frente às forças comunistas, na guerra civil.
Apesar de continuarem de relações políticas cortadas, os laços económicos entre as duas margens floresceram desde o início dos anos 90.
O KMT liderava a China até se refugiar na ilha, que governou durante cinco décadas, mas está desde 2000 na oposição.
Um dos objectivos comuns do KMT e Pequim é dar passos para acabar com o bloqueio das chamadas "três ligações directas" (transportes, comerciais e postais), que geram desperdício de tempo e dinheiro nas comunicações entre as duas margens, separadas por um estreito de 160 quilómetros.
A China tem adoptado uma atitude pragmática para liberalizar as comunicações entre as duas margens, enquanto o impasse político continua, mas Taiwan mantém uma atitude mais cautelosa, por receio em relação à segurança da ilha.
Pequim foi a última etapa da visita "histórica" do KMT à China, iniciada segunda-feira.
Antes da capital chinesa, a delegação, de 34 pessoas, visitou Cantão e Nanjing, no sul do país - duas cidades importantes na história do partido que governou a China até 1949.