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Partido de Flávio Bolsonaro elege 19 senadores e terá a maior bancada na câmara alta

Partido de Flávio Bolsonaro elege 19 senadores e terá a maior bancada na câmara alta

O Partido Liberal (PL), movimento do candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, elegeu 19 senadores, e terá a maior bancada na Casa Legislativa com 28 parlamentares, do total de 81 senadores.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Adriano Machado - Reuters

Este ano foram eleitos para a câmara alta do Parlamento brasileiro dois senadores por Estado brasileiro, para além do Distrito Federal, o que resultou na renovação de dois terços do Senado.

O PL conseguiu eleger de uma só vez dois senadores em cinco estados brasileiros: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

O Distrito Federal elegeu Michelle Bolsonaro, a ex-primeira dama e atual esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que assumirá, pela primeira vez, um mandato na política brasileira.

Em Santa Catarina, o destaque vai para Carlos Bolsonaro, o filho "02" de Jair Bolsonaro, que deixou o Rio de Janeiro para se mudar para o estado do sul brasileiro, bastião da extrema-direita do bolsonarismo.

Em São Paulo, as ex-ministras de Lula da Silva do Meio Ambiente, Marina Silva, e do Planejamento, Simone Tebet, foram derrotadas por dois candidatos da direita, sendo um deles do próprio PL.

A derrota de Marina e Tebet é parcialmente explicada pela desistência do ex-ministro do Meio Ambiente do Governo Bolsonaro, Ricardo Salles, do partido NOVO, que renunciou à candidatura ao Senado com o objetivo de estimular o voto útil nos outros dois políticos da direita.

Com o agravamento da crise no Supremo Federal brasileiro (STF), com juízes envolvidos no escândalo do Banco Master, Flávio e os seus aliados usaram o desgaste institucional durante a campanha política.

Ao subir o tom contra o mais alto tribunal do país, os candidatos da direita defenderam a destituição dos magistrados do STF através da abertura de um processo de `impeachment` pelo Senado brasileiro, o que, segundo alegaram, só seria possível caso fossem eleitos.  

Durante uma conferência de imprensa na última segunda-feira, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o juiz Kássio Nunes Marques, que também é juiz do STF brasileiro, e o presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, evitaram responder às perguntas dos jornalistas sobre se o resultado nas urnas em relação às eleições para o Senado podia vir a ser uma resposta à crise na Justiça brasileira.

Em entrevista recente à Lusa, o juiz aposentado Celso de Mello, que integrou o STF brasileiro entre 1989 e 2020, sublinhou que um `impeachment` [destituição] de magistrados pelo Senado tem que se basear em fundamentação jurídica.

"É fundamental preservar a seriedade desse instrumento de responsabilização. Sua utilização pressupõe fundamentos jurídicos, individualização das condutas e respeito ao devido processo", realçou.

"A existência de uma maioria parlamentar, por expressiva que seja, não dispensa esses requisitos nem autoriza transformar divergências com decisões judiciais em causas de destituição", concluiu.

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