EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Partido de Merkel sofre descalabro eleitoral em Dresden

Partido de Merkel sofre descalabro eleitoral em Dresden

A democracia cristã (CDU) sofreu em Dresden um sério revés nas eleições municipais, ficando em terceiro lugar, atrás de uma coligação da esquerda e de uma candidatura liberal.

RTP /
Ints Kalnins, Reuters

A vencedora e futura burgomestra de Dresden será provavelmente a social-democrata Eva-Maria-Stange, que encabeçou a coligação "Cidadãos Independentes por Dresden", com o apoio do seu partido (SPD), bem como do Partido da Esquerda, Partido Verde e Partido dos Piratas.  Stange tem sido ministra da Ciência do Governo regional da Saxónia.
Esquerda              - 37,0 %
Liberais                - 31,7 %
Democracia cristã - 15,4 %

O candidato liberal Dirk Hilbert disputará a segunda volta das eleições, em 5 de Julho, contra Stange, com uma desvantagem na grelha de partida de cerca de 5 por cento.

Já o candidato da CDU Markus Ulbig, ministro do Interior da Saxónia, fica excluído da segunda volta, precisamente nessa região que durante muito tempo foi considerada um baluarte democrata cristão. Ulbig optará, como já anunciou, por apelar ao voto no liberal Hilbert, atraindo sobre si próprio sarcasmos como o de ser tratado de "palafreneiro" do pequeno partido liberal (FDP).

A dimensão do descalabro eleitoral de Ulbig fez que o chefe do Governo regional, Stanislaw Tillich, se tenha achado na necessidade de sublinhar que ele, Ulbig, continuaria mesmo assim a exercer o cargo de ministro do Interior.

Nos primeiros comentários ao desastre sofrido pelos democratas cristãos, abundam as explicações actualísticas e circunstanciais. A mais importante é certamente a votação da extrema direita não-nazi, a AfD ("Alternativa para a Alemanha"). A sua cabeça de lista Tatjana Festerling conseguiu canalizar para a AfD boa parte do movimento islamofóbico "Pegida", que até aqui se manifestava nas ruas e agora se fez sentir nas urnas, atingindo quase dez por cento.

Mas observadores atentos sublinham que a derrota democrata cristã em Dresden se situa numa linha de derrotas eleitorais que o partido de Merkel vem sofrendo ininterruptamente desde há dez anos em todas as grandes cidades.

Com efeito, ao perder as eleições em Dresden, a CDU ficou privada da hegemonia em qualquer das 15 cidades alemãs com mais de 400.000 habitantes. Perdidas estas posições decisivas, restam ao partido de Merkel participações nos governos regionais de seis das 16 regiões ("Länder") e a vaga esperança de não perder também o município de Wuppertal, que irá a votos no Outono. Em qualquer caso, Wuppertal fica já abaixo da fasquia dos 400.000 habitantes e será, no melhor dos casos, uma bem sucedida mas pequena batalha de retaguarda.
PUB