Partido dos Trabalhadores confirma Dilma Rousseff em 2014 e nega existência do "mensalão"
São Paulo, 31 out (Lusa) - O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, disse hoje que a Presidente brasileira, Dilma Rousseff, será candidata à reeleição em 2014 e negou a existência do esquema de corrupção "mensalão", envolvendo altos quadros da sua força política.
"Dilma é nossa candidata em 2014, mas somos o único partido que tem duas lideranças que, se apresentassem candidatura, ganhariam", disse Falcão, num encontro com a imprensa estrangeira, em São Paulo, mencionando o nome do ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao ser questionado sobre o "mensalão", Falcão afirmou que o esquema de compra de votos de parlamentares da coligação do Governo durante a Presidência de Lula da Silva, que está a ser julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, não passa de uma "narrativa construída", de "ilações", e que não corresponde à realidade.
"Continuaremos a negar e vamos comprovar que nunca houve compra de votos", afirmou o presidente do PT, após realçar que uma nota oficial do partido sobre o tema será emitida somente após o fim do julgamento no STF.
A mais alta instância brasileira considerou que a compra de votos existiu, com a participação de nomes fortes do PT, como o ex-presidente do partido, José Genoíno, e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. O tribunal está atualmente na fase de atribuição de penas aos réus considerados culpados.
Falcão realçou que a decisão do tribunal causa insegurança política no país, por colocar em dúvida temas aprovados no Congresso Nacional, como a reforma da previdência, que está a ser contestada por partidos de oposição e tribunais locais.
O PT venceu no último domingo as eleições municipais em 635 cidades brasileiras (14 por cento a mais do que nas eleições anteriores), e tornou-se no partido a governar mais habitantes no nível municipal: 28,5 milhões. No que se refere ao número de cidades, o PT é o terceiro partido com mais força no Brasil.
Falcão creditou o sucesso do partido à consolidação da democracia brasileira e às ações do Governo Federal perante a crise económica. "Aqui não aplicamos políticas que fazem o povo pagar pelo que não provocou", disse.
O presidente do PT realçou que os eleitores demonstraram um sentimento de mudança durante as eleições municipais, o que gerou um baixo índice de reeleição, que prejudicou o partido em algumas cidades e o beneficiou noutras, como em São Paulo, onde o candidato Fernando Haddad foi eleito na segunda volta.
Sobre a capital paulista, Falcão comentou ainda que o crescimento económico do Brasil faz com que muita gente se torne "consumidor antes de ser cidadão", o que na sua opinião explica o fenómeno Celso Russomano.
O candidato, conhecido pelo seu programa de defesa do consumidor na televisão, mas filiado num partido político menor, surpreendeu nas pesquisas eleitorais anteriores à primeira volta das eleições, que o apontavam como primeiro colocado. Por fim, não conseguiu votos suficientes para passar à segunda volta.