Partido Trabalhadores em situação de falência
O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula da Silva, está em situação de falência com dívidas que ascendem a 160 milhões de reais (57 milhões de euros), escreve hoje o jornal O Estado de São Paulo.
O total das dívidas foi calculado pela nova direcção do partido, que substitui os antigos dirigentes afastados recentemente por envolvimento num escândalo de um "saco azul".
As dívidas foram contraídas por gastos excessivos em campanhas eleitorais, aquisição de imóveis, passagens aéreas, realização de eventos e até aluguer de jactos e helicópteros, salienta o jornal.
Na prática, a antiga direcção do PT manteve um partido "paralelo", cujos recursos arrecadados não eram contabilizados nas contas oficiais.
"Pelo que constatamos, grande parte das contribuições ao PT não entrava nem saía pelas instâncias regulares, o que comprometeu as finanças", disse Tarso Genro, o novo presidente do partido, que assumiu há 15 dias com a tarefa de "moralizar" o PT.
O jornal salienta ainda que os bancos privados BMG e Rural, que concederam empréstimos ao "saco azul" do PT, foram favorecidos mais tarde por decisões tomadas pelo governo do presidente Lula da Silva.
Os dois bancos receberam cerca de 600 milhões de reais (210 milhões de euros) em depósitos dos fundos de investimentos de empresas estatais, nomeadamente da Petrobras, Banco do Brasil, Correios e Eletrobras.
O lucro do BMG, por exemplo, ascendeu de 85 milhões de reais (30 milhões de euros), em 2002, antes da posse de Lula da Silva, para 275 milhões de reais (98 milhões de euros), no ano passado.
Os fundos do "saco azul" do PT eram obtidos pelas empresas do publicitário Marcos Valério, através de empréstimos junto a esses dois bancos, e depois transferidos para políticos indicados pela antiga direcção do PT.
As empresas do publicitário ofereciam contratos com as empresas públicas, nomeadamente Banco do Brasil, Correios e Eletronorte (energia), como garantias para obtenção desses empréstimos bancários.
Em declarações públicas, Marcos Valério e o antigo tesoureiro do PT Delúbio Soares admitiram que o "saco azul" teria movimentado cerca de 39 milhões de reais (14 milhões de euros) para pagamento de dívidas eleitorais.
Documentos bancários indicam, porém, que as empresas do publicitário movimentaram, entre 2003 e 2005, uma quantia superior a 70 milhões de reais (25 milhões de euros).
O escândalo de corrupção política no Brasil iniciou-se a 14 de Maio com a revelação de uma gravação de vídeo onde um então director dos Correios recebia três mil reais (mil euros) para favorecer uma empresa privada.
O director reconhecia na gravação que agia a mando do então presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, aliado político de Lula da Silva.
Pressionado, o deputado Roberto Jefferson revelou mais tarde um suposto esquema de pagamento de uma verba mensal do PT para compra de apoio de parlamentares no Congresso, o chamado "mensalão".
Uma comissão especial foi criada no Congresso para investigar as denúncias e acabou por revelar a existência de um Ssaco azul" do PT.
O escândalo já levou à demissão de diversos dirigentes de empresas estatais e também de toda a antiga direcção do PT.
O escândalo obrigou igualmente o presidente Lula da Silva a promover uma ampla reformulação governamental, com a troca de dez ministros.