Passageiros e tripulantes do voo 93 realizaram um dos atos mais corajosos da história dos EUA - George W. Bush
Pensilvânia, Estados Unidos, 11 set (Lusa) -- Os 40 passageiros e a tripulação que lutaram contra os piratas do ar no voo 93, realizaram "um dos atos mais corajosos na história americana", disse George W. Bush, no memorial às vítimas, na Pensilvânia.
As declarações do antigo presidente dos Estados Unidos foram proferidas, no sábado, numa cerimónia de duas horas no novo parque nacional americano, e que juntou outras figuras de relevo como o também ex-presidente Bill Clinton, o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, o vice-presidente Joe Biden e o secretário de Estado do Interior, Ken Salazar.
Bush invocou o patriotismo dos passageiros do voo 93 "No momento em que a democracia americana estava sob ataque, os nossos cidadãos desafiaram os seus captores".
No memorial de sábado, Joe Biden descerrou um conjunto de 40 placas de mármore, com as inscrições dos nomes dos passageiros e tripulantes do voo 93, no novo parque.
A cerimónia serviu ainda para lançar uma angariação de fundos -- são necessários cerca de 10 milhões de dólares (7,32 milhões de euros) para a conclusão da primeira fase do memorial e sua manutenção no futuro -- , depois da Fundação dos Parques Nacionais ter anunciado a doação de dois milhões de dólares norte-americanos para o efeito.
"O alvo dos piratas do ar era o Capitólio em Washington, D.C., onde estavam a decorrer as sessões da Câmara dos Representantes e do Senado", disse Jon Jarvis, diretor do Serviço Nacional de Parques americano, ao referir que "a determinação e coragem dos passageiros e tripulação do voo 93", impediu a concretização dos objetivos dos terroristas.
Já Bill Clinton comparou as ações protagonizadas pelos passageiros do voo 93 às dos defensores de Álamo no Texas - a batalha de 1836 foi um ponto crucial na Revolução do Texas - e aos espartanos na batalha das Termópilas, há 2.500 anos, uma vez que todos já sabiam de antemão que iam morrer.
"Espero, e peço a Deus, que daqui a 2.500 anos as pessoas continuem a recordar o que aconteceu", afirmou Clinton, ao considerar que os 40 passageiros e tripulantes "prestaram um grande serviço ao país", por terem "salvo a capital do ataque" e "negado a vitória simbólica da Al-Qaida de esmagar o centro do governo americano".
Clinton prometeu trabalhar com o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, num esforço bipartidário para angariar fundos para financiar o memorial, o que levou Calvin Wilson, cunhado do co-piloto LeRoy Homer, às lágrimas.
"Não consigo transmitir o que sinto em palavras", disse Wilson, ao considerar importante o reconhecimento de que as ações dos passageiros do voo 93 salvaram muitas vidas.
Joe Biden, a quem coube descerrar as placas com os nomes das vítimas, disse que as vítimas depressa se aperceberam de que estavam envolvidos em muito mais do que uma ação de "hijacking", e que abriram uma batalha na nova guerra.
Durante a cerimónia, que juntou cerca de 5.000 pessoas foi ainda cumprido um minuto de silêncio em memória das vítimas dos ataques.
Gordon Felt, presidente das Famílias das Vítimas do voo 93, considerou o memorial como "um grande feito".