Pastor evangélico é preso acusado de corrupção no Rio de Janeiro
O líder evangélico e presidente do Partido Social Cristão (PSC), Everaldo Dias Pereira, foi preso hoje por agentes da Polícia Federal numa operação que investiga desvios de dinheiro na área da saúde no estado brasileiro do Rio de Janeiro durante a pandemia.
A prisão do pastor evangélico foi decretada por um juiz do Superior Tribunal de Justiça (STF) na mesma decisão que afastou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do cargo por 180 dias, nesta sexta-feira.
Witzel também é suspeito e foi denunciado por alegadas irregularidades na gestão de recursos da área da saúde durante a pandemia de covid-19.
Conhecido apenas como `pastor Everaldo`, o presidente do PSC foi citado num acordo de colaboração firmado entre um ex-funcionário do governo do Rio de Janeiro com o Ministério Público Federal (MPF), o ex-secretário de Saúde Edmar Santos, preso numa operação da polícia em maio.
O MPF informou num comunicado divulgado hoje que "a partir da eleição de Wilson Witzel, estruturou-se no âmbito do governo estadual uma organização criminosa, dividida em três grupos, que disputavam o poder mediante o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos".
Os investigadores suspeitam que o presidente do PSC estaria ligado a estes alegados grupos criminosos que atuavam dentro do Governo `fluminense`.
Além de preso, o `pastor Everaldo` foi acusado hoje de corrupção e branqueamento de capitais.
O líder evangélico, membro da Assembleia de Deus, é considerado um político influente no Brasil, e chegou a lançar uma candidatura presidencial em 2014.
Antes de ser detido nesta sexta-feira, o `pastor Everaldo` tinha sido mencionado num outro acordo de colaboração com a justiça firmado pelo ex-diretor da Odebrecht Ambiental Fernando Reis.
Aquele delator afirmou à justiça brasileira que a empreiteira teria entregado 6 milhões de reais (904 mil euros na cotação atual) em dinheiro não declarado ao `pastor Everaldo` em 2014.
Em troca do dinheiro, o líder evangélico teria sido instruído a ajudar o candidato Aécio Neves nos debates políticos das presidenciais. Aécio Neves ficou em segundo lugar naquelas eleições, atrás da ex-presidente Dilma Rousseff.
O pastor também é considerado influente no Governo do Rio de Janeiro já que foi o mentor do governador Wilson Witzel, que é filiado no seu partido.
Carlos Bolsonaro, filho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, elegeu-se vereador da cidade do Rio de Janeiro filiado ao PSC.
O próprio Jair Bolsonaro integrou o PSC, em 2016, quando iniciava a sua pré-campanha. O chefe de Estado brasileiro foi batizado pelo `pastor Everaldo` no rio Jordão, em Israel, em 2018.
Bolsonaro, porém, elegeu-se Presidente do Brasil pelo Partido Social Liberal (PSL), sigla da qual se desvinculou no ano passado.
A Lusa tentou entrar em contacto com a assessoria de comunicação do político, mas não obteve resposta. Numa nota publicada pelos `media` brasileiros, o PSC alega que o pastor "sempre esteve à disposição de todas as autoridades" e reitera a sua confiança na justiça.