Patriarca Irineu I afastado por sínodo da Igreja Ortodoxa Grega
O sínodo da Igreja Ortodoxa Grega, o órgão máximo de decisão em Israel, decidiu afastar o Patriarca Irineu I, devido ao seu presumível envolvimento num polémico negócio imobiliário, indicaram hoje responsáveis palestinianos.
O Patriarca ortodoxo grego está no centro de uma controvérsia relacionada com um negócio em que imóveis propriedade da Igreja em Jerusalém foram vendidos a um grupo de investidores judeus, motivando protestos dos cristãos palestinianos, que reclamam Jerusalém como futura capital de um Estado palestiniano.
Na quinta-feira, 13 bispos e 25 arquimandritas ortodoxos gregos decidiram considerar Irineu I "persona non grata" na Igreja.
Num comunicado divulgado no mesmo dia em Jerusalém, os 38 dignitários anunciaram ter decidido "destituir Irineu I das suas funções de patriarca ortodoxo grego na Terra Santa, não falar mais com ele e considerá-lo 'persona non grata' na Igreja".
Trinta e seis dos signatários do documento, que não era, no entanto, vinculativo, são gregos e dois são palestinianos.
Hoje, o sínodo reuniu-se oficialmente em sessão plenária, votou uma decisão formal e Irineu I abandonou o Patriarcado, indicou um porta-voz da Igreja, Attalah Hanah.
"Decidimos despedi-lo e ele foi-se embora hoje e não sabemos para onde foi", disse o porta-voz.
Irineu I sofria pressões no sentido de se demitir desde Março, altura em que a imprensa israelita noticiou a venda, pelo Patriarcado Ortodoxo Grego, a investidores judeus, de dois edifícios onde estão instalados hotéis, perto da porta de Jaffa, em Jerusalém oriental, área ocupada e anexada por Israel em 1967.
O Patriarcado de Jerusalém já tomou medidas no sentido de anular a venda.
Numa conferência de imprensa em Abril, Irineu I declarou não ter conhecimento das transacções e não estar envolvido em qualquer negócio alegadamente assinado por Nikos Papadimas, o responsável pelas finanças da Igreja que desapareceu há três meses.
Papadimas é procurado pela Grécia, depois de responsáveis da Igreja Ortodoxa Grega em Atenas o terem acusado de fugir com 600.000 euros de fundos da Igreja, e a sua mulher é procurada por lavagem de dinheiro.