Paulo Portas defende solução da Liga Árabe
Nova Iorque, 31 jan (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu hoje no Conselho de Segurança da ONU uma resolução de apoio ao plano de paz da Liga Árabe, alertando para o risco de guerra civil, se a comunidade internacional não agir.
"O que está a acontecer na Síria é de grande seriedade. A inatividade da comunidade internacional é chocante. Uma solução árabe é urgente. Uma decisão das Nações Unidas é essencial", disse Paulo Portas, sublinhando as razões da sua participação na reunião de hoje no Conselho de Segurança sobre a Síria.
A reunião, ainda a decorrer, conta com a presença da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e dos seus homólogos de França, Alain Juppé, Reino Unido, William Hague, Marrocos e Guatemala.
"A violência mortífera continua implacável. A situação na Síria continua em perigosa espiral em direção a uma guerra civil, com sérios riscos para a paz e segurança na região", disse o chefe da diplomacia portuguesa.
A última versão da resolução apresentada no Conselho de Segurança por Marrocos e apoiada pelos países ocidentais, defende a solução da Liga Árabe para a crise da Síria, que passa por uma "transição política" que leve a eleições livres.
Até lá, refere o documento, o presidente sírio Bashar Al-Assad deverá delegar os seus poderes no vice-presidente e participar na formação de um governo de unidade nacional, culminando em eleições livres e transparentes, com supervisão árabe e internacional.
O veto da Rússia, já exercido em outubro, sobre a Síria, é suficiente para que a resolução fique pelo caminho, e este membro permanente do Conselho de Segurança continua a rejeitar o que qualifica de ingerência nos assuntos internos sírios, oferecendo-se como mediador para negociações de paz.
Tendo ao seu lado o embaixador russo na ONU, que tem sido o rosto à oposição a uma tomada de posição, Paulo Portas aludiu à necessidade de ultrapassar "velhas divisões" da Guerra Fria e lamentou que a inatividade do responsabilidades no caso sírio, deixando o país perante a opção de "uma escalada do conflito ou uma solução política negociada e controlada".
A Liga Árabe, afirmou, "está melhor apetrechada para liderar os esforços no sentido de resolver uma crise que acarreta riscos diretos e ameaças a muitos dos seus Estados membros".
O ministro expressou o apoio de Portugal aos pontos centrais da proposta árabe, começando pelo afastamento do presidente sírio, através da delegação de poderes no vice-presidente.
A proposta árabe, afirmou, promove o fim da violência e leva a um processo político sério que culmine numa "Síria livre e democrática".
As autoridades sírias têm "ignorado os números apelos para pôr fim à sua repressão sangrenta, alimentado a escalada da violência" e Assad falhou as suas promessas de acabar com a repressão.
A História, disse, demonstra que "onde não há reformas, haverá revoluções".
Portugal, adiantou Portas, "continua empenhado na soberania, independência e integridade territorial da Síria. Quanto mais esta crise persistir, mais profundas serão as cicatrizes" na sociedade síria.
"Temos de nos unir numa mensagem clara e forte às autoridades sírias. É também a credibilidade do Conselho de Segurança que está em causa", afirmou Portas, dispondo-se a continuar a negociar de "boa fé" para aprovar a resolução de forma expedita.
Em mais um aparte à Rússia, Portas terminou a intervenção com uma citação do escritor Fyodor Dostoyevsky: "Viver sem esperança é deixar de viver".