Pausa nos bombardeamentos norte-americanos mantém-se por segunda noite consecutiva
Nenhum bombardeamento norte-americano foi registado no Irão entre sábado e domingo, assinalando a segunda noite consecutiva de pausa nas hostilidades, com meios de comunicação dos Estados Unidos a apontar para eventuais faltas de munições como motivo.
Apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na sexta-feira que ponderava ataques "ainda mais significativos" contra o Irão, o exército norte-americano não anunciou qualquer operação até hoje.
Teerão também não reivindicou ataques contra países aliados dos Estados Unidos na região, que não reportaram qualquer alerta noturno.
"Na verdade, estamos a falar com eles neste momento", disse Trump referindo-se aos dirigentes iranianos, acrescentando: "Penso que se estão a tornar cada vez mais sérios com o passar dos dias, talvez por uma razão óbvia", afirmou numa alusão ao efeito dos bombardeamentos.
Segundo o jornal New York Times, que cita duas fontes não identificadas, Washington está preocupada com o enfraquecimento do `stock` de sistemas de interceção de mísseis Patriot e de outros equipamentos defensivos que protegem os países do Golfo, alvo de ataques iranianos em represália. O jornal refere igualmente receios de uma escalada do conflito.
A emissora CNN, citando uma fonte do Departamento de Defesa, avançou que as operações militares contra o Irão estão "em pausa", pelas mesmas razões.
A guerra no Médio Oriente começou a 28 de fevereiro com uma campanha de bombardeamentos israelo-americanos contra o Irão, causando milhares de mortos e abalando a economia mundial ao bloquear o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passava antes da guerra cerca de um quinto do comércio global de hidrocarbonetos.
Um memorando de entendimento assinado a 17 de junho entre Estados Unidos e Irão, que previa um cessar-fogo e um ciclo de negociações de paz de 60 dias, colapsou menos de um mês após entrar em vigor.
Embora se tenha registado uma acalmia no Golfo nos últimos dois dias, uma frente nova abriu-se a 13 de julho com a retoma das hostilidades entre a Arábia Saudita e os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão.
O envio de um avião iraniano com uma delegação rebelde para Sana sem autorização de Riade desencadeou ataques atribuídos ao reino sobre o aeroporto da capital iemenita. Em resposta, os Huthis atacaram território saudita pela primeira vez desde 2022.
Paralelamente, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, apelou ao "diálogo", sublinhando que "não existe solução militar" para este conflito.