Pedida pena de morte para único terrorista sobrevivente de Beslan
O Ministério Público russo pediu hoje a morte para o único terrorista sobrevivente do comando que atacou e fez reféns numa escola em Beslan, em Setembro de 2004, apesar da moratória à pena capital vigente desde 1996.
"Peço ao Supremo Tribunal da Ossétia do Norte para condenar Nur Pachi Kulaiev à pena de morte, pela participação no ataque à escola em Beslan", declarou o Procurador-Geral adjunto.
Nikolai Chepel precisou que o arguido, presente numa jaula, foi um simples executor. Mas explicou: "São justamente estes executores que fazem funcionar a maquinaria infernal" do terrorismo.
Kulaiev, tchetcheno, 25 anos, foi - segundo as autoridades russas - o único sobrevivente do comando organizado pelo islamita Chamil Basaiev que atacou a escola de Beslan (Ossétia do Norte) e fez 1.128 reféns a 01 de Setembro de 2004. Ao fim de 53 horas de drama, tinham morrido 331 pessoas, das quais 186 crianças, sem contar com 31 terroristas.
O julgamento de Kulaiev está a decorrer desde 17 de Maio de 2005 no Supremo Tribunal da Ossétia do Norte, sendo o arguido acusado de "terrorismo", "homicídio", "sequestro" e "rebelião".
O Procurador-Geral adjunto pediu para este caso o levantamento da moratória à pena de morte vigente desde a adesão da Rússia ao Conselho da Europa, para "dissuadir quantos queiram enveredar pela senda do terrorismo".
Todavia, uma decisão do Tribunal Constitucional russo de 2001 proíbe as sentenças de morte, pelo que Kulaiev deverá ser condenado a prisão perpétua.
No decurso do processo, o arguido começou por se declarar culpado, mas depois alterou o depoimento, afirmando estar a ser confundido com um irmão.
Familiares das vítimas consideraram que no banco dos réus não se devia sentar apenas Kulaiev mas também os membros da célula de crise russa, nomeadamente os chefes dos serviços secretos, devido à condução fatídica dos acontecimentos.
O Ministério Público sublinhou que o processo não incide na tomada de reféns, mas num terrorista.
Reagindo, Ella Kessaieva, presidente da organização "Voz de Beslan", anunciou uma "greve da fome ilimitada" até ser revelado quem deu a ordem para lançar as granadas incendiárias que mataram muitas das crianças no interior da escola.