Mundo
Pedro Santa Clara sobre riscos da IA: "Há uma enorme histeria que é aproveitada"
Economista e especialista em inteligência artificial defende, na Grande Entrevista da RTP, que há interesse das empresas em abrandar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia.
(em atualização)
O empreendedor, fundador da Escola 42 e especialista na área da inteligência artificial (IA), Pedro Santa Clara, considera que as notícias sobre os riscos para a humanidade da IA são “exageradas”.
“É óbvio que a inteligência artificial é uma tecnologia muito importante e é uma questão civilizacional em muitas dimensões. Esta preocupação súbita e levantada por tantas personagens ao mesmo tempo, deixa-me um bocadinho suspeitoso”, afirma, lembrando que as principais empresas da área, a OpenAI e a Anthropic, vão “ainda este ano” entrar em bolsa.
“Estão as duas numa corrida para ver quem tem o modelo mais poderoso, quem é que tem mais clientes, quem é que chega mais depressa a uma super inteligência. E é uma corrida muito complicada, onde se gastam biliões de dólares”, sublinha Pedro Santa Clara, entendendo “que nada seria mais vantajoso do que congelar a situação tal como está”.
Na Grande Entrevista, conduzida por Vítor Gonçalves, para o empreendedor, que fez carreira no EUA, “há uma enorme histeria que é aproveitada por muitos grupos”, sobretudo, na área da política e defende que “há muito desconhecimento”.
O empreendedor, fundador da Escola 42 e especialista na área da inteligência artificial (IA), Pedro Santa Clara, considera que as notícias sobre os riscos para a humanidade da IA são “exageradas”.
“É óbvio que a inteligência artificial é uma tecnologia muito importante e é uma questão civilizacional em muitas dimensões. Esta preocupação súbita e levantada por tantas personagens ao mesmo tempo, deixa-me um bocadinho suspeitoso”, afirma, lembrando que as principais empresas da área, a OpenAI e a Anthropic, vão “ainda este ano” entrar em bolsa.
“Estão as duas numa corrida para ver quem tem o modelo mais poderoso, quem é que tem mais clientes, quem é que chega mais depressa a uma super inteligência. E é uma corrida muito complicada, onde se gastam biliões de dólares”, sublinha Pedro Santa Clara, entendendo “que nada seria mais vantajoso do que congelar a situação tal como está”.
Na Grande Entrevista, conduzida por Vítor Gonçalves, para o empreendedor, que fez carreira no EUA, “há uma enorme histeria que é aproveitada por muitos grupos”, sobretudo, na área da política e defende que “há muito desconhecimento”.
“Há uma preocupação muito generalizada com alguns aspectos da inteligência artificial que são lícitos”, vinca Pedro Santa Clara, dando como exemplo “qual o impacto que a tecnologia vai ter na economia”.
O perigo dos agentes autónomos
Na base de todos os alertas sobre os perigos reais da perda de controlo da inteligência artificial esteve um exercício da OpenAI. “Dentro de um computador supostamente desligado da internet, pôs milhares de agentes (autónomos) e deu-lhes um conjunto de missões para cumprir. Algumas dessas missões eram impossíveis sem acesso à internet. E houve um desses agentes que encontrou uma forma de aceder à internet”, explica Pedro Santa Clara, lembrando que esse caminho que tinha escapado aos engenheiros da empresa liderada por Sam Altman.
Com base neste acontecimento, denunciado por engenheiros e que levantou preocupações sobre a segurança, Pedro Santa Clara acredita que “a inteligência artificial não tem vontade”. “O ponto crítico é este. Obviamente pode ser usada para o mal”, assume.
“Não acho que haja uma alteração qualitativa, mas obviamente que para quem tenha intenções maliciosas pode ajudar. Agora, todas as ferramentas, os modelos, têm o que se chama de guard rails, ou seja, “estão sobre carris que as impede de responder a tudo. É mais ou menos seguro”, assinala.
“A IA tem um potencial gigantesco”
Pedro Santa Clara lembra que há muitos desafios que se impõe no uso e na adaptação da inteligência artificial no atual ensino. Sem nunca mencionar diretamente o sistema de ensino português, o fundador da Escola42, lembra que “a parte crítica” é essencial.
Quanto ao emprego e à economia, o empreendedor alerta que é expectável “um efeito” na entrada para profissões, salientando que não se nota, ainda, o impacto real no emprego por parte da inteligência artificial. “O escritório de advogados passa a contratar menos júniores porque já não necessita de fazer esse trabalho”, exemplifica. “E põe-se um problema: como é que vão ser treinados os séniores de amanhã. Este é um problema sério”, adverte.
Na base de todos os alertas sobre os perigos reais da perda de controlo da inteligência artificial esteve um exercício da OpenAI. “Dentro de um computador supostamente desligado da internet, pôs milhares de agentes (autónomos) e deu-lhes um conjunto de missões para cumprir. Algumas dessas missões eram impossíveis sem acesso à internet. E houve um desses agentes que encontrou uma forma de aceder à internet”, explica Pedro Santa Clara, lembrando que esse caminho que tinha escapado aos engenheiros da empresa liderada por Sam Altman.
Com base neste acontecimento, denunciado por engenheiros e que levantou preocupações sobre a segurança, Pedro Santa Clara acredita que “a inteligência artificial não tem vontade”. “O ponto crítico é este. Obviamente pode ser usada para o mal”, assume.
“Não acho que haja uma alteração qualitativa, mas obviamente que para quem tenha intenções maliciosas pode ajudar. Agora, todas as ferramentas, os modelos, têm o que se chama de guard rails, ou seja, “estão sobre carris que as impede de responder a tudo. É mais ou menos seguro”, assinala.
“A IA tem um potencial gigantesco”
Pedro Santa Clara lembra que há muitos desafios que se impõe no uso e na adaptação da inteligência artificial no atual ensino. Sem nunca mencionar diretamente o sistema de ensino português, o fundador da Escola42, lembra que “a parte crítica” é essencial.
Quanto ao emprego e à economia, o empreendedor alerta que é expectável “um efeito” na entrada para profissões, salientando que não se nota, ainda, o impacto real no emprego por parte da inteligência artificial. “O escritório de advogados passa a contratar menos júniores porque já não necessita de fazer esse trabalho”, exemplifica. “E põe-se um problema: como é que vão ser treinados os séniores de amanhã. Este é um problema sério”, adverte.