Peixes-papagaio podem salvar corais das Caraíbas
O desenvolvimento de uma população de peixe-papagaio na zona coralina das Caraíbas poderia salvar os corais desta região atacados pelas algas, consideram os autores de um estudo que será publicado quinta-feira na revista Nature.
Os corais da zona das Caraíbas sofreram, nos últimos vinte anos, sucessivos desgastes devido à passagem dos Furacões Allen (1980) e Gilbert (1988), e foram vítimas da morte em massa, em 1983, dos ouriços-do-mar `Diadema antillarum`, que comem as algas que invadem o seu domínio.
Ao limparem as rochas pouco profundas destas algas - Lobophora e Dictyota - os ouriços-do-mar e os peixes-papagaio permitem que os recifes se repovoem com populações sãs de corais.
No seu estudo, a equipa do ecologista Peter Mumby, da Universidade de Exeter (na Grã-Bretanha), examinou as condições necessárias para que a formação de corais nas Caraíbas se reinicie.
Segundo a sua modelização, uma população de peixes-papagaio protegida da pesca pode manter cerca de 40 por cento de um recife, enquanto que se os peixes forem pescados exageradamente, a superfície das rochas limpa se reduz para cinco por cento.
Segundo o estudo efectuado por Peter Mumby, é necessário que ouriços e peixes-papagaio passem por pelo menos 42 por cento do recife de seis em seis meses para que o desenvolvimento das algas seja contido e que a população de corais aumente.
Os autores do estudo aconselham que se deixe desenvolver a população de peixes-papagaio para evitar um desaparecimento dos corais das Caraíbas.
Neste âmbito, os investigadores relembram que em 1979, não tendo havido a passagem de nenhum furacão nos 36 anos precedentes, o coral cobria 75 por cento dos recifes da Jamaica.
No entanto, em 1980, devido a doenças e à passagem do Furacao Allen, o coral já apenas cobria 38 por cento da zona.
Mais tarde, a saúde dos corais melhorou, graças à presença dos ouriços e chegou a mesmo a cobrir 44 por cento dos recifes.
No entanto, em 1983, devido ao desaparecimento dos ouriços e à pesca excessiva dos peixes-papagaio, as algas voltaram a desenvolver-se e a zona de recifes coberta pelo coral era apenas de cinco por cento em 1993.