Pele do pepino do mar inspira criação de novo tecido - Science

Lisboa, 07 Mar (Lusa) - A pele rugosa do pepino do mar, um invertebrado de corpo mole e alongado, inspirou a criação de um novo material que tanto pode ser rígido como flexível, indica um estudo hoje publicado.

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Estas propriedades conferem-lhe um potencial biomédico promissor, nomeadamente para implantes cerebrais - explicam investigadores da Universidade Case Western Reserve (Ohio, EUA) na revista Science.

Segundo os cientistas, trata-se de um novo polímero dotado de qualidades mecânicas e químicas que lhe permitem adaptar-se a ambientes diferentes.

A semelhança do pepino do mar, esta matéria plástica pode tornar-se mole ou dura em poucos segundos por contacto com um líquido.

"Podemos fabricar estes novos polímeros programando as suas propriedades mecânicas, ou seja, neste caso, o seu grau de firmeza ou de flexibilidade quando são expostos a substâncias químicas específicas", explicou Christoph Weder, um dos principais autores do estudo.

"Estes novos materiais foram concebidos para mudar de consistência e passar da dureza do plástico à maleabilidade da borracha quando são mergulhados na água", precisou Stuart Rowan, membro da equipa de investigação.

Este novo material permite reagir à água com uma dilatação mínima, não como uma esponja, sublinham os cientistas.

No seu trabalho reproduziram as estruturas moleculares e os mecanismos químicos encontrados num organismo vivo, neste caso no pepino do mar, que pode encontrar-se em praias portuguesas.

"Estas criaturas podem endurecer rapidamente a pele, normalmente muito mole, em reacção por exemplo a uma ameaça", referiu Jef Capadona, outro dos autores da investigação.

Biólogos marinhos mostraram em estudos anteriores que esta alteração de consistência dos tecidos da pele do pepino do mar provém de uma nanoestrutura na qual se encontram nanofibras de colagénio rígidas integradas num tecido muito flexível.

A rigidez do colagénio é modulada por substâncias químicas específicas segregadas pelo sistema nervoso do animal, que controla as interacções entre as nanofibras de colagénio, uma proteína fibrosa.

Materiais deste tipo poderão ser um dia utilizados em implantes biomédicos, como em bolsas protectoras de microeléctrodos no cérebro que poderiam ser rígidas quando são implantadas mas tornar-se depois flexíveis, reduzindo a fricção com os tecidos cerebrais.

Estes microeléctrodos são já usados em tratamentos na doença de Parkinson, acidentes vasculares cerebrais e lesões da espinal medula, mas perdem a eficácia quando os tecidos irritados criam cicatrizes nas áreas de contacto.

Para criar este novo material, os investigadores utilizaram nanofibras de celulose que integraram numa mistura de copolímeros elásticos.

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