Pelo menos 10 furacões vão formar-se este verão no Atlântico -EUA
Pelo menos dez furacões vão formar-se nos próximos meses no Atlântico, quatro dos quais poderão atingir os Estados Unidos, segundo o Centro Nacional de Furacões, que prevê contudo que sejam menos catastróficos do que os do ano anterior.
"As previsões apontam para uma época 2006 muito activa, com 13 a 16 tempestades, entre oito a dez furacões, e entre quatro a seis furacões importantes", sublinha este centro num relatório publicado hoje em Miami (Florida, sudeste).
"Entre dois e quatro ciclones poderão atingir as costas dos Estados Unidos", precisou o vice-almirante Conrad Lautenbacher, que dirige a administração nacional para os oceanos.
A época dos furacões começa a 01 de Junho e termina em Novembro.
"A possibilidade de um novo furacão atingir os Estados Unidos, especialmente na costa do Golfo do México é real", salientou o responsável ao apresentar o relatório.
Todavia, este documento sustenta ser pouco provável que os recordes da época ciclónica atingidos em 2005 se repitam este ano.
Robert Latahm, que dirige os serviços de emergência no Mississipi (sul), não excluiu a ocorrência de um furacão ainda mais devastador do que o Katrina, que matou no final de Agosto e início de Setembro mais de 1.300 pessoas nos Estados Unidos. Apesar de o Katrina ter sido terrível, pode ainda haver pior", disse.
Os responsáveis voltaram a insistir com os habitantes das regiões envolvidas para levarem a sério os furacões e prepararem-se para lidar com eles.
Os receios aumentaram quando cerca de 100.000 deslocados por causa dos ciclones de 2005 vivem ainda em abrigos provisórios, sobretudo caravanas, e milhares de proprietários de casas não conseguiram ainda reparar os telhados arrancados o ano passado.
O Governo norte-americano afirmou recentemente estar muito mobilizado para a nova época dos furacões para evitar ser apanhado desprevenido como o ano passado pelo Katrina, mas os progressos realizados são ainda considerados insuficientes pelo Congresso.
Exercícios de coordenação dos socorros foram conduzidos em Maio. No final de Abril, o Ministério da Segurança interna anunciou ter nomeado 27 responsáveis encarregados de "coordenar" a ajuda do Governo federal às autoridades locais em caso de catástrofe nas regiões do Golfo do México e da costa Atlântica.
Em Nova Orleães, o exército norte-americano continua a reparar e a reconstruir os diques que cederam depois da passagem do Katrina a 29 de Agosto de 2005, mas a população teme que eles não estejam prontos para enfrentar a época ciclónica. O presidente George W. Bush pediu no final de Abril ao Congresso 2,2 mil milhões de dólares suplementares para terminar estes trabalhos.
Apesar da mobilização das autoridades, um relatório parlamentar divulgado no final de Abril afirma que os Estados Unidos continuam a não estar prontos para enfrentar uma catástrofe com a amplitude do furacão Katrina.
Em meados de Maio, uma sociedade privada de previsões meteorológicas, AccuWeather, previu que os Estados Unidos podem enfrentar rapidamente, já em Junho, uma época ciclónica activa na região do Golfo do México.
Segundo as suas previsões, os Estados Unidos poderão ser atingidos por três poderosos furacões este ano.
Meteorologistas da Universidade do Colorado previram também uma época ciclónica muito activa no Atlântico, prevendo um total de 17 tempestades tropicais, nove das quais furacões.
A época 2005 contabilizou 28 tempestades tropicais e ciclones e um número recorde de três furacões de força 5, a máxima na escala de Saffir-Simpson.
O Katrina, que atingiu nomeadamente Nova Orleães (Luisiana, sul), foi o furacão mais dispendioso da história norte-americana, com mais de 80 mil milhões de dólares de prejuízos.