Pelo menos 19 mortos e 15 desaparecidos nas manifestações no Quénia
As manifestações de quarta-feira no Quénia, em homenagem às vítimas dos protestos de 2024, que se tornaram violentas, provocaram pelo menos 19 mortos e 15 desaparecimentos forçados, disse hoje a Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quénia (CNDH).
Esta semana, milhares de jovens voltaram a sair à rua em várias cidades do Quénia para homenagear as vítimas das manifestações do ano passado, que foram severamente reprimidas pela polícia.
"A Comissão condena veementemente todas as violações dos direitos humanos e apela à responsabilização de todas as partes envolvidas", afirmou a KNCHR num comunicado, em que contabiliza 19 mortes e 15 desaparecimentos forçados.
Quinta-feira, a Amnistia Internacional denunciou a morte de pelo menos 16 pessoas e mais de 400 feridas nos confrontos com forças policiais que terão disparado balas reais, além de usarem gás lacrimogéneo e outros meios, para dispersar os manifestantes.
Desde as manifestações de 2024, que culminaram com a tomada do parlamento em 25 de junho, o Quénia tem assistido a uma onda de raptos e execuções extrajudiciais que indignaram a população.
O KNCHR, uma agência oficial, informou também que 531 pessoas ficaram feridas, 179 foram detidas e quatro foram violadas durante as manifestações de quarta-feira.
A Human Rights Watch (HRW) afirmou hoje que as autoridades quenianas devem ser responsabilizadas pelas mortes.
"As autoridades quenianas não devem tratar os manifestantes como criminosos", afirmou Otsieno Namwaya, diretor associado para África da HRW.
O Ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, condenou, quinta-feira, as manifestações, descrevendo-as como "terrorismo disfarçado de protesto".
Em Nairobi, muitos estabelecimentos comerciais foram saqueados no centro da cidade, para desespero dos seus proprietários.
A ONU declarou na quinta-feira que estava "profundamente preocupada" com os acontecimentos e apelou a "investigações independentes e transparentes".