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Penas de prisão para pais de adolescente do Michigan que matou quatro estudantes

por Carla Quirino - RTP
Ethan Robert, mãe e pai. Fotografia de prisão tirada na prisão do condado de Oakland em Pontiac, Michigan, a 1 de dezembro de 2021 Gabinete do Xerife do Condado de Oakland via Reuters

Jennifer e James Crumbley enfrentam uma pena de dez a 15 anos de prisão por não terem impedido as mortes de quatro estudantes, em 2021. São os primeiros pais a serem condenados por homicídio involuntário, depois de o filho, Ethan, ter desencadeado um tiroteio numa escola nos Estados Unidos.

“Estas condenações não são sobre má paternidade. Não se espera que os pais sejam adivinhos”, afirmou a juíza do condado de Oakland, Cheryl Matthews.

Refletem o fracasso dos pais em travar o ataque: “Estas condenações confirmam os repetidos atos, ou a falta de atos que poderiam ter parado um comboio descontrolado”.A juíza do Michigan destacou as oportunidades perdidas destes pais que poderiam ter impedido o filho adolescente de possuir uma arma e matar quatro estudantes, em 2021.

Os Crumbleys foram condenados, na terça-feira, por não garantirem a segurança da arma recém-comprada - destrancada e alegadamente carregada - que Ethan usou no ataqu  e agir com indiferença aos sinais da deterioração da saúde mental do filho, especialmente quando confrontados com um desenho da sala de aula “arrepiante”.

Esse esboço representava imagens de uma arma, uma bala e um homem ferido numa aula de matemática, acompanhado de frases depressivas: “Os pensamentos não vão parar. Ajuda-me. Sangue em todo o lado. A minha vida é inútil”.

Ambos expressaram arrependimento sobre o ataque do filho durante as argumentações dos seus advogados, numa tentativa de minimizar a sentença. O pai ainda se levantou e insistiu que não sabia que Ethan estava profundamente perturbado.

Os jurados consideraram os pais, entretanto julgados em separado, culpados de homicídio involuntário, tornando este caso o primeiro na justiça norte-americana a responsabilizar mãe e pai pelo crime do filho de 15 anos.

Os Crumbleys são elegíveis para liberdade condicional depois de cumprirem dez anos de prisão, mas não podem ser mantidos por mais de 15 anos, se a liberdade condicional for negada.

O filho, Ethan Crumbley, matou quatro estudantes com uma arma semiautomática no liceu de Oxford. Outros sete ficaram feridos no tiroteio.
E os pais dos estudantes mortos
Nicole Beausoleil, mãe da vítima de 17 anos Madisyn Baldwin, dirigiu-se diretamente aos pais de Ethan Crumbley.

“Enquanto vocês estavam a comprar uma arma para o vosso filho, deixando-a destrancada, eu estava a ajudar a minha filha a terminar os trabalhos da faculdade”, disse Beausoleil.

“Vocês decidiram que a paternidade não era uma prioridade. E por causa disso eu perdi a minha filha”, acrescentou.

Jill Soave, mãe de outra vítima de 17 anos, Justin Shilling, vincou que "é difícil colocar em palavras" os seus "horror e trauma". Critiou ainda os Crumbley pelo “fracasso em agir” e impedir uma tragédia “completamente evitável”.
A mãe Crumbley
Jennifer Crumbley, de 46 anos, expressou em tribunal uma “profunda tristeza”. E acrescentou: “O meu filho parecia tão normal. Eu não tinha razão para fazer algo diferente”.

Ethan e a mãe chegaram a praticar num campo de tiro. Gastaram 50 balas, mas levaram as outras 50 para casa. Jennifer Crumbley descreveu a arma nas redes sociais como um presente de Natal antecipado.

Em julgamento, a mãe culpou a escola por não lhe ter dado as informações sobre Ethan, nomeadamente “dormir na sala de aula, assistir a vídeos de tiroteio em massa, escrever pensamentos negativos sobre a família”.

Um dos excertos do diário de Ethan foi mostrado ao júri. “Eu não tenho ajuda para os meus problemas mentais e isso está a dar-me vontade de disparar na escola”, escreveu o adolescente. “Eu quero ajuda, mas os meus pais não me ouvem, por isso eu não consigo ter ajuda”, rematou.

A 30 de novembro de 2021, Ethan Crumbley puxou uma arma semi-automática - uma Sig Sauer 9 mm - da mochila e começou a disparar, matando Shilling, Baldwin, Tate Myre e Hana St. Juliana. Feriu outras sete pessoas. Foi condenado por homícidio em primeiro grau. Está a cumprir prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
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