Pentágono quer alargar o seu papel na defesa do território

O Pentágono propõe-se alargar o seu papel na defesa dos Estados Unidos através da intervenção dos militares no território norte-americano em caso de necessidade, segundo um plano pormenorizado divulgado na sua página da Internet.

Agência LUSA /

O documento, de cerca de 40 páginas, intitulado "Estratégia para a defesa do território e apoio aos civis", foi aprovado a 24 de Junho pelo subsecretário da Defesa, Gordon England, e divulgado no final da semana passada com a maior discrição, indica o Washington Post na sua edição de hoje.

O relatório sugere que os militares norte-americanos possam intervir no território norte-americano, no caso de as forças da ordem civis e a guarda nacional não serem suficientes.

A nova estratégia prevê uma "defesa activa a vários níveis e em profundidade".

As forças armadas norte-americanas deverão a partir de agora preparar-se para enfrentar "ataques múltiplos e simultâneos" contra o território norte-americano envolvendo um grande número de vítimas.

Esta nova estratégia representa uma mudança de fundo em relação à existente antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, que era reactiva, de acordo com o subsecretário da Defesa encarregado da defesa do território, Paul McHale, citado pelo Washington Post.

Segundo McHale, a actual estratégia previa um único atentado, ao passo que a alteração proposta se baseia "numa tendência recorrente" de ataques em todo o mundo perpetrados pela Al-Qaida, de Usama bin Laden, responsável pelos atentados de 11 de Setembro, e por outros grupos terroristas.

O Pentágono propõe também partilhar as informações secretas militares com as forças de segurança civis, para identificar e perseguir presumíveis terroristas, o que poderá suscitar preocupação nos defensores das liberdades individuais.

Existem, há mais de um século, obstáculos legais para limitar o envio de militares para as ruas, após as críticas provocadas pelo destacamento de tropas federais para supervisionar eleições em antigos Estados confederados, na sequência da Guerra da Secessão.

O Pentágono não exige uma nova lei para lhe permitir utilizar os militares no território norte-americano, propondo apenas um papel de apoio às forças de segurança civis.

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