Pequenos partidos podem ter papel decisivo em novo governo da Noruega

Um partido pró-caça da baleia, a extrema- esquerda e os populistas poderão desempenhar um papel decisivo na designação do próximo governo da Noruega, indica uma sondagem, a dois dias das legislativas que a esquerda e a direita disputam taco-a- taco.

Agência LUSA /

De acordo com a sondagem realizada pela rádio NRK, a coligação de centro-direita cessante e a adversária de esquerda podem ter de recorrer ao apoio de formações políticas pequenas para poderem governar a Noruega após as eleições de 12 de Setembro.

Mais de 3,4 milhões de eleitores vão segunda-feira às urnas eleger, por quatro anos e pelo método da proporcionalidade, os 169 deputados - mais quatro do que em 2001 - do Storting, Parlamento unicamaral, que não pode ser dissolvido.

O ponto central da campanha foi a distribuição da riqueza num país que dispõe de umas reservas petrolíferas consideráveis: a direita defende uma redução contínua dos impostos, a esquerda uma melhoria do Estado-providência.

A eventualidade de uma nova candidatura de adesão da Noruega à União Europeia - depois da vitória do "não" nos referendos de 1972 e 1994 - não foi abordada nos debates antes do escrutínio, devido ao facto da opinião pública se ter tornado eurocéptica e de nem a esquerda, nem a direita terem uma posição única sobre a questão.

"Nada indica que um pedido de adesão venha a ser apresentado nos próximos quatro anos", afirmou Frank Aarebrot, politólogo da universidade de Bergen.

Depois de ser dado como derrotado ao longo de vários meses, o actual governo minoritário, que reúne conservadores, democratas- cristãos, liberais e o aliado informal, o Partido do Progresso (FrP, direita populista), vê agora serem-lhe atribuídas 47,7 por cento das intenções de voto.

Com um tal resultado na próxima segunda-feira, a coligação do primeiro-ministro, Kjell Magne Bondevik, e o FrP obteriam 84 dos 169 assentos do Parlamento, ou seja, menos um do que a maioria absoluta.

A esquerda, o Partido Trabalhista de Jens Stoltenberg e os aliados, a Esquerda Socialista e o Partido Centrista, obteriam 47,1 por cento dos votos, isto é, 82 mandatos, segundo a sondagem efectuada pelo Instituto Opinion, junto de 1.200 pessoas, entre 05 e 08 de Setembro.

Esta relação de forças chama a atenção para a importância de duas formações políticas microscópicas, a Aliança Eleitoral Vermelha (RV, extrema-esquerda) e o Partido do Litoral, que defende os interesses dos caçadores de baleias, às quais são atribuídos um e dois assentos parlamentares, respectivamente.

Bastante popular no norte da Noruega, o Partido do Litoral, sobretudo, poderá fazer passar a maioria de um lado para o outro, mas o líder do partido, Steinar Bastesen, personagem excêntrica que usa um casaco de pele de foca, recusou-se a dizer para que lado penderia.

"Não temos qualquer preferência. Negociaremos o nosso apoio", declarou Bastesen.

Os analistas políticos colocam o partido mais à direita no espectro político, mas o seu eventual apoio não será forçosamente suficiente para garantir a sobrevivência do governo cessante.

Os populistas, em segunda posição nas sondagens, com perto de 20 por cento das intenções de voto, complicaram a situação, ao condicionarem a renovação do seu apoio à saída de Bondevik, que acusam de lhes ter recusado um lugar no governo.

"Ele deixou-nos à porta, nós vamos pô-lo à porta. Bondevik pertence à história", declarou Carl Ivar Hagen, o líder do FrP, num encontro com a imprensa estrangeira sexta-feira.

Oficialmente, os partidos do bloco de centro-direita reafirmaram que Bondevik era o seu único candidato ao cargo de primeiro-ministro, o que os obrigará, se quiserem manter-se no poder após o escrutínio, a desdizer-se, a obter uma mudança de ideias de Hagen ou a formar um novo tipo de aliança com ou sem os populistas.

Esta situação de incerteza permitiu durante toda a campanha ao líder trabalhista Stoltenberg condenar "o caos" que reina no bloco de centro-direita.

Com os dois aliados de esquerda, Stoltenberg espera, por seu lado, poder formar um governo de maioria - um caso raro na Noruega nas últimas décadas (apenas houve dois executivos maioritários em 36 anos) - e poder dirigir o país sem ter de passar por compromissos no Parlamento.

Ser-lhe-á ainda necessário inverter a tendência das últimas sondagens, mas também obter um avanço suficiente para não precisar do apoio da extrema-esquerda, com a qual os centristas se recusam a governar.

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