Pequim vê Grammy para Dalai Lama como “manobra política anti-China”

Pequim vê Grammy para Dalai Lama como “manobra política anti-China”

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, classificou o livro que valeu a Dalai Lama o prémio de Melhor Gravação de ‘Audiobook’ nos Grammys 2026 como “uma ferramenta para manipulação política anti-China”.

RTP /
Foto: via AFP

De acordo com o deputado do Partido Comunista, o 14.º Dalai Lama “não é apenas uma figura religiosa, mas um exilado político envolvido em atividades separatistas contra a China sob pretexto da religião”.

Manifestando uma “oposição firme” à utilização de distinções “como ferramenta para a manipulação política anti-China”, Pequim condenou a distinção entregue pela Academia de Gravação dos EUA.

A declaração surgiu esta segunda-feira, numa conferência de imprensa, poucas horas depois da 68ª cerimónia dos Grammys, na qual o líder espiritual do budismo tibetano foi distinguido com o prémio de Melhor Gravação de ‘Audiobook’, narração e ‘storytelling’ pelo seu livro "Meditations: The Reflections of His Holiness The Dalai Lama" (Meditações: Reflexões de Sua Santidade o Dalai-Lama).

Num comunicado publicado no seu site, o líder espiritual, laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1989, expressou “gratidão e humildade” pelo Grammy e afirmou que o galardão representa “um reconhecimento da nossa responsabilidade universal comum”.

O Dalai Lama encontra-se exilado na Índia desde 1959, tendo-se estabelecido em Dharamshala após o fracasso de uma revolta tibetana contra a ocupação chinesa, sendo amplamente considerado o rosto da luta do Tibete pela autonomia.

Pequim acusa o líder espiritual de promover a independência da região autónoma da China e, por sua vez, as autoridades chinesas são frequentemente repreendidas pela comunidade internacional por aquilo que acreditam ser uma tentativa de erradicar a língua, a cultura e a identidade tibetanas.

A sucessão do “mestre” é também motivo de tensão entre China e Tibete. Pequim considera que os assuntos relativos à região autónoma, incluindo a escolha do próximo líder espiritual, são “questões internas” e rejeita qualquer envolvimento estrangeiro. Já os budistas tibetanos defendem que os Dalai Lamas são reencarnações de um líder espiritual nascido em 1391.

O atual Dalai Lama assegura que o seu sucessor será escolhido num país livre, sem qualquer intervenção do governo chinês, enquanto Pequim insiste que o futuro Dalai Lama nascerá no Tibete e será reconhecido pelo Partido Comunista.
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