Peregrinação na Caxemira indiana testa segurança junto ao local de confronto com Paquistão
Milhares de pessoas começaram hoje a percorrer os caminhos da Caxemira indiana, numa importante peregrinação hindu, perto do local do atentado que desencadeou o recente confronto militar entre a Índia e o Paquistão.
Ainda antes do amanhecer, os peregrinos foram escoltados por um grande número de militares até ao acampamento base de Pahalgam e iniciaram a marcha para a gruta de Amarnath, onde todos os anos, por esta altura, se presta homenagem ao deus Shiva.
Alguns peregrinos cantavam canções nacionalistas hindus, como "Viva a mãe Índia", observaram os jornalistas da AFP.
Há menos de três meses, a 22 de abril, três homens armados mataram 26 civis hindus a poucos quilómetros de distância.
Embora ninguém tenha reivindicado a autoria do ataque, a Índia culpou o Paquistão, que o negou categoricamente, e retaliou a 07 de maio, bombardeando o território do vizinho do norte.
Os combates entre as duas potências nucleares durante os quatro dias seguintes, os piores desde 1999, causaram dezenas de mortos em ambos os lados, até que um cessar-fogo foi assinado e respeitado desde então.
Neste contexto, as autoridades indianas mobilizaram 45.000 soldados para a peregrinação de Amarnath, que atraiu mais de meio milhão de pessoas em 2024.
"Tomámos todas as medidas necessárias para que a cerimónia decorra com toda a segurança", garantiu o chefe da polícia da região da Caxemira indiana, V.K. Birdi.
Veículos blindados, abrigos de betão colocados ao longo dos caminhos que conduzem à gruta, câmaras de vigilância: a presença militar é maciça e aguarda a chegada dos primeiros peregrinos.
"Não tenho medo nenhum", declarou à AFP um deles, Muneshwar Das Shashtri, 44 anos. "O nosso exército está em alerta máximo em todo o lado e ninguém pode levantar um dedo contra nós".
"A segurança é muito boa", acrescentou outro, Ujwal Yadav, 29 anos. "Apesar de o ataque ter ocorrido aqui mesmo, não tenho medo".
Se o ataque no início de maio e a quase guerra que se seguiu provocaram preocupações em todo o mundo, Manoj Sinha, representante do Governo na região, garante que "a confiança das pessoas está a regressar", admitindo, porém, que as reservas destinadas à logística da peregrinação diminuíram 10% em relação a 2024.
Apesar de uma caça intensa, os alegados autores do ataque em maio continuam a monte.
Em 2017, rebeldes separatistas que combatem o exército indiano na região desde 1989 atacaram um autocarro cheio de peregrinos que se dirigiam para a gruta de Amarnath, matando 11 deles.