Peru exige à Rússia informações sobre peruanos recrutados para a guerra

Peru exige à Rússia informações sobre peruanos recrutados para a guerra

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru indicou na quinta-feira ter exigido ao Governo da Rússia, a entrega de informações sobre o paradeiro dos peruanos recrutados para combater ao lado das forças russas na guerra na Ucrânia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Pelo menos 11 peruanos morreram e 114 estão desaparecidos depois de terem sido enganados para combater na Rússia | Foto: Ministério da Defesa da Rússia via EPA

Carlos Espá informou que convocou por duas vezes o embaixador da Rússia no Peru, Alekséi Ushakov, para exigir "respostas concretas sobre a localização dos peruanos na Rússia".

Numa entrevista ao Canal N, o ministro afirmou que "não se pode dizer que se trata de um contrato privado", referindo-se aos acordos assinados pelos peruanos que viajaram para aquele país, uma vez que a legislação estabelece que qualquer peruano que pretenda combater ao serviço de uma força estrangeira necessita de autorização governamental.

Nesse sentido, Espá afirmou exigir explicações ao Governo russo e solicitar ao embaixador que "nos dê explicações e a informação que os peruanos aguardam".

O chefe da diplomacia peruana apelou também à população para que "não continue a cair em redes de tráfico de pessoas", como terá acontecido com mais de 400 peruanos que viajaram para a Rússia com promessas de emprego na área da segurança e acabaram recrutados para combater na frente russa.

Em agosto passado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru reconheceu que pelo menos 459 peruanos foram aliciados pela Rússia para, alegadamente sob falsos pretextos, serem recrutados e enviados para a frente de guerra.

A mesma tutela indicou que pelo menos 11 morreram após terem viajado para a Rússia, enquanto 114 estão desaparecidos e três são prisioneiros nas mãos da Ucrânia.

Na passada terça-feira, um homem identificado como Vidal L. ficou sujeito a prisão preventiva por 14 meses por alegado tráfico de pessoas, por supostamente ter recrutado um homem no distrito limeño de San Martín de Porres para trabalhar na Rússia, onde alegadamente foi enviado para a frente de guerra contra a sua vontade.

De acordo com o Ministério Público, entre março e abril deste ano, o arguido terá recrutado e facilitado a deslocação internacional da vítima para a Rússia, após lhe prometer uma remuneração mensal de 2.600 dólares e garantir que o processo migratório seria gratuito.

A vítima chegou a viajar para a Rússia, onde afirma ter sido submetida a exames médicos para ingressar nas forças armadas russas, assinar um contrato redigido em russo e receber um cartão bancário no qual seriam depositados 26.000 dólares (22.641 euros).

Nessa altura, contactou a família para revelar a sua situação, o que levou a irmã a apresentar uma denúncia junto do Ministério Público e a identificar o alegado recrutador.

O ministro garantiu que, até ao momento, realizou mais de 30 reuniões com famílias afetadas, enviou um delegado especial a Moscovo para procurar informações sobre os peruanos na Rússia e contribuiu para o repatriamento de 28 cidadãos peruanos.

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