Peru. Presidente quer antecipar eleições para abril de 2024

A Presidente do Peru anunciou esta segunda-feira que vai propor a antecipação das eleições gerais para abril de 2024, em resposta às exigências feitas em fortes protestos de rua por todo o país, nos últimos quatro dias. Duas pessoas morreram nas manifestações. Dina Boluarte tomou posse na passada quarta-feira, para substituir no cargo Pedro Castillo, afastado pelo Congresso.

RTP /

“Decidi tomar a iniciativa de chegar a um acordo com o Congresso para antecipar as eleições gerais para abril de 2024. Nos próximos dias, enviarei ao Congresso uma proposta de lei para antecipar as eleições”, anunciou Dina Boluarte, esta segunda-feira.

De acordo com Boluarte, a decisão de não terminar o mandato em julho de 2026 como previsto deve-se ao facto de ter tido em conta a “vontade dos cidadãos” e a “responsabilidade que o exercício do Governo” implica.

Dina Boluarte garantiu que a proposta de lei que vai apresentar inclui reformas constitucionais, para que o sistema político se torne “mais eficiente, transparente e participativo”. Com as reformas, a nova presidente espera que “todas as práticas corruptas sejam eliminadas” e que os partidos políticos sejam “legitimados pela participação dos cidadãos”.

A primeira mulher de sempre a presidir o país deixou um apelo “a todas as forças políticas do país, nas regiões e províncias, às autoridades, à sociedade civil e ao povo peruano” para que “participem no processo, para que uma onda de vontade democrática e de responsabilidade nacional nos possa guiar e orientar, para lançar as bases legais, institucionais e democráticas de um Peru unido, livre e socialmente justo”.

Dina Boluarte tomou posse na quarta-feira para substituir o antecessor no cargo Pedro Castillo, afastado pelo Congresso, depois de ter ordenado a dissolução do parlamento, anunciado a formação de um executivo de emergência, para governar por decreto, e convocado uma assembleia constituinte e a reorganização do sistema de justiça.

Desde quarta-feira que o país está a ser varrido por fortes manifestações que exigem a demissão de Dina Boluarte, a realização de eleições antecipadas e a libertação imediata de Pedro Castillo. Os protestos fizeram pelo menos dois mortos.

Dina Boluarte declarou estado de emergência “nas zonas de elevado conflito social”, onde os protestos já resultaram na morte de duas pessoas. “Dei instruções para recuperar pacificamente o controlo da ordem interna sem afetar os direitos fundamentais dos cidadãos”, anunciou a chefe de Estado.
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