Peter Strzok. Agente do FBI debaixo de fogo republicano no Capitólio

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“Deixem-me ser claro, inequivocamente e sob juramento: nunca, nos 26 anos de defesa da minha nação, deixei que opiniões pessoais influenciassem qualquer ação oficial”
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Peter Strzok, o agente do FBI que esteve envolvido em duas investigações durante as eleições americanas de 2016, defendeu-se das acusações de parcialidade numa acalorada audiência ocorrida quinta-feira na Câmara dos Representantes, em Washington.

Foram mais de dez horas de uma audiência descrita como caótica, onde Peter Strzok foi o centro das atenções. O agente do FBI é acusado de ter enviado mensagens anti-Trump quando integrava duas investigações durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.

Depois de ter sido afastado da equipa do procurador especial Robert Muller, esta foi a primeira vez que o agente da polícia federal norte-americana falou publicamente das mensagens que trocou com a advogada do FBI, Lisa Page.

Constantemente acusado pelos republicanos, durante a audiência, de má conduta, Strzok defendeu-se argumentando que nunca deixou que as suas opiniões pessoais afetassem a ação profissional.

“Deixem-me ser claro, inequivocamente e sob juramento: nunca, nos 26 anos de defesa da minha nação, deixei que opiniões pessoais influenciassem qualquer ação oficial”, garantiu Peter Strzok durante a audiência.
Strzok “debaixo de fogo”

O agente do FBI desempenhou um papel crucial em dois dos casos mais incendiários dos círculos políticos dos Estados Unidos: as investigações relacionadas com a polémica dos e-mails de Hillary Clinton enquanto secretária de Estado e a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016.

Peter Strzok é acusado de ter trocado mensagens com Lisa Page, advogada do FBI, que denunciavam uma escolha partidária por parte do agente. Isto enquanto decorriam as investigações.

Numa das mensagens trocadas em agosto de 2016, Lisa Page, igualmente envolvida nas duas investigações, questionava Strzok: “Ele [Trump] nunca se vai tornar presidente, certo?”. Ao que o agente do FBI respondeu: “Não, não vai. Nós vamos impedi-lo”.

Debaixo de um contante ataque durante a audiência, Peter Strzok admitiu que estava arrependido de ter enviado estas mensagens, mas argumentou que eram apenas meras crenças políticas privadas. Em contínua defesa, Strzok afirmou que as mensagens se deveram ao facto de Trump, na altura ainda candidato à Presidência, ter insultado uma família de imigrantes, pais de um soldado muçulmano morto em combate.

“A minha suposição, com base nesse comportamento horrível e repugnante, era que a população americana não elegeria alguém que demonstrasse tal comportamento para ser presidente dos Estado Unidos”, defende Strzok.

Os republicanos não ficaram minimamente convencidos com as declarações do agente do FBI e continuaram com a troca de acusações.

“Ele [Peter Strzok] acha que chamar alguém de desestabilizador não é ser parcial”, afirmou Trey Gowdy, legislador do Estado da Carolina do Sul. E acentuou: “Ele acha que proteger o país de alguém que ele nem sequer começou a investigar não é tendencioso. Ele pensa que prometer parar alguém que ele deveria estar a investigar de se tornar presidente, não é ser parcial”.
“Mais uma vitória para Putin”
Peter Strzok não desistiu de se defender e contou com o apoio dos democratas, que também se fizeram ouvir nesta acalorada audiência.

Jerrold Nadler, congressista de Nova Iorque e principal democrata no Comité Judiciário, saiu em defesa do agente do FBI afirmando que “todas estas perguntas sobre as suas opiniões políticas reveladas por estas mensagens são irrelevantes e erradas”. Acrescentou que apenas fariam sentido se tivessem afetado algumas decisões nas investigações, facto que não foi demonstrado quer na investigação relaciona com Hillary Clinton, quer na investigação da Rússia.

Os democratas acusaram os republicanos de estarem a desviar as atenções do esforço da Rússia em promover a eleição de Trump, ao atacarem um agente veterano do FBI.

“Há uma investigação criminal sobre a campanha de Trump e possíveis crimes relacionados com a eleição presidencial de 2016, envolvendo conspiração com espiões russos para vender a nossa democracia e sequestrar a presidência”, afirmou Hakeem Jeffries, legislador democrata de Nova Iorque.

“Os meus colegas da convenção de encobrimento não gostam dessa investigação criminal e, por isso, precisam de nomear um vilão. Calhou a si, senhor Strzok”, acrescenta Hakeem Jeffries.

O agente do FBI afirma que a audiência de quinta-feira foi mais uma vitória para Putin.

“Tenho o maior respeito pelo papel de supervisão do Congresso, mas acredito verdadeiramente que a audição de hoje é apenas mais uma entalhe no cinturão de Putin e mais um marco na campanha dos nossos inimigos para separar a América”, defendeu Peter Stzork.

“Enquanto alguém que ama este país e preza pelos seus ideais, é profundamente doloroso assistir e, pior ainda, participar”, sublinhou.
Ataques pessoais
Já perto do final a audiência caiu em desordem quando Louie Gohmert, legislador republicano do Texas, acusou Stzork de causar problemas no sistema judiciário e de fazer ataques pessoais.

“Eu posso falar pelo FBI: você envergonhou-os e envergonhou-se a si próprio”, acusou Gohmert.

O congressista texano continuou a atacar o agente do FBI e chegou até a fazer referência ao suposto caso extraconjugal de Peter Stzork com Lisa Page: “Não consigo deixar de questionar quando o vejo a olhar para ali com um pequeno sorriso, quantas vezes pareceu tão inocente aos olhos da sua mulher e lhe mentiu”.

Os democratas não tardaram em criticar a intervenção do republicano do Texas, argumentando que o seu depoimento foi um “intolerável assédio à testemunha”.

O agente do FBI defendeu que “sempre contou a verdade” e, relativamente à acusação de ter sido parcial durante as investigações, argumentou que havia vários profissionais superiores envolvidos e que controlavam todas as suas decisões. “Eles não tolerariam qualquer comportamento impróprio da minha parte”, sublinha.

Peter Stzork é um ex-militar e o FBI já conta com o seu trabalho há mais de duas décadas. A boa reputação profissional levou o agente a fazer parte das duas investigações relativas a Clinton e à Rússia.

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