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Petrolífera Santos prevê que captura de carbono no Mar de Timor comece em 2025 ou 2026

Petrolífera Santos prevê que captura de carbono no Mar de Timor comece em 2025 ou 2026

Um responsável da petrolífera Santos prevê o início de captura e armazenamento de carbono no poço de Bayu Undan, no Mar de Timor, a partir de 2025 ou 2026, considerando o projeto de grande potencial para Timor-Leste.

Lusa /
Reuters

"Estamos no processo de desenho e, dependendo do processo de autorização dos reguladores, esperamos que se tudo corra bem o processo de captura e armazenamento possa começar em 2025 ou 2026", disse à Lusa o diretor executivo e CEO da petrolífera, Kevin Gallagher.

O responsável, que está em Díli para participar numa cimeira de petróleo, gás e minas, notou que ainda não há, em Timor-Leste, o enquadramento regulatório para a captura e sequestro de carbono (CCS, na sigla em inglês) e indicou que a empresa está a dialogar com as autoridades sobre essa matéria.

"Esperamos que isto possa avançar em 2025 ou 2026 porque isso ajudaria a dar continuidade aos trabalhadores no projeto, garantindo a transição do final da exploração do Bayu Undan para a sua desativação e reaproveitamento, antes do arranque do projeto", referiu.

Antes, intervindo na abertura da cimeira, Gallagher disse que a Santos tem vindo a procurar alternativas para alargar a vida do Bayu Undan desde que assumiu o controlo operacional do poço, há dois anos.

Trata-se, disse, de alargar a vida de um poço que foi até agora a principal fonte de rendimento para Timor-Leste, contribuindo com mais de 20 mil milhões de dólares (19,2 milhões de euros) para as receitas do Estado.

"O Bayu Undan estava a chegar ao fim da sua vida útil e ia ser descomissionado. Pensamos em opções alternativas para alargar a vida do projeto e queremos criar o maior projeto de CSS do mundo", avançou.

Num momento de "crise energética global", disse, a procura de gás natural vai continuar, mas é igualmente necessário reduzir as emissões, pelo que iniciativas de captura e armazenamento de carbono abrem novas perspetivas.

"Projetos de CSS podem transformar-se numa indústria significativa para Timor-Leste, ajudando a `descarbonizar` e a fortalecer a economia, tornado o gás natural e os hidrocarbonetos mais limpos", explicou.

"É impossível chegar à ambição de `net zero` [neutralidade de carbono] em 2050 sem CCS", disse.

Atualmente, notou, há quase 30 projetos comerciais de CCS no mundo, incluindo dois outros na Austrália, com a estimativa de que o projeto de Bayu Undan pode representar uma "capacidade de armazenamento de 10 milhões de toneladas de CO2 por ano".

"E continuamos a considerar que há outros recursos por explorar em Timor-Leste e daí o nosso interesse na última ronda de licenciamento" conduzida pelas autoridades timorenses, sublinhou.

A Santos foi uma das cinco empresas a quem em abril foram adjudicados blocos na segunda ronda de licenciamento para projetos em terra e costeiros de explorações de petróleo e gás, segundo dados da Autoridade Nacional de Petróleo e Minerais (ANPM).

Em concreto, a Santos garantiu o Bloco R, localizado perto dos campos Kitan, Buffalo e Bayu-Undan, todos no Mar de Timor.

A empresa anunciou em janeiro do ano passado que vai investir 235 milhões de dólares (191,4 milhões de euros) para perfurações adicionais nos campos de Bayu-Undan no mar de Timor.

O programa adicional de perfuração `in-filling`, que pretendia conseguir uma maior recuperação de petróleo no campo, poderá representar um retorno até 20 milhões de barris equivalentes de petróleo, segundo a empresa.

A Santos é a operadora e detém uma participação de 68,4% no Bayu-Undan e na Darwin LNG, que reduzirá para 43,4% após a conclusão de uma venda de 25% à SK E&S.

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