Pioneiros da Lua exortam NASA a dar prioridade a Marte

A mítica tripulação de astronautas da Apollo 11 assinala os 40 anos da chegada do Homem à Lua com o apelo a "uma nova missão de exploração". Marte é o objectivo defendido por dois dos membros da missão lunar de Julho de 1969, Buzz Aldrin e Michael Collins. Ambos vêem no planeta vermelho "um destino que vale muito mais a pena" do que o satélite da Terra.

RTP /
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebe esta segunda-feira os três tripulantes da Apollo 11 NASA, EPA

Sete mil pessoas candidataram-se a um sorteio de 485 bilhetes para testemunharem um raro reencontro público dos três astronautas da Apollo 11 no Museu do Ar e do Espaço da Instituição Smithsonian, em Washington.

Na noite de domingo, Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins deixaram frustrados aqueles que esperavam um exercício de mera nostalgia. O futuro da exploração espacial dominou as intervenções de Aldrin, o segundo homem a pisar a Lua, e de Collins, o homem que contornou sozinho o satélite enquanto os companheiros exploravam a superfície.

"A melhor maneira de honrar e recordar todos os que participaram no programa Apollo é seguir os nossos passos, voltar a avançar corajosamente para uma nova missão de exploração", defendeu Buzz Aldrin na véspera do 40.º aniversário da primeira alunagem do Homem na História Universal.

"Às vezes penso que voei até ao sítio errado"

Na esteira de Aldrin, Michael Collins instou a NASA a fazer de Marte o próximo objectivo da exploração do Espaço: "Às vezes penso que voei até ao sítio errado. Marte sempre foi o meu favorito em criança e hoje continua a sê-lo".

A "actual ênfase num regresso à Lua" é uma fonte de "preocupação" para o piloto do módulo de comando da Apollo 11, que teme o "adiamento desnecessário" de uma missão ao planeta vermelho, "um destino que vale muito mais a pena". "Gostaria de ver Marte a tornar-se o foco, tal como John F. Kennedy se focou na Lua", confessou Michael Collins.

As palavras de Collins e Aldrin colheram o apoio de Christopher Kraft Junior, o fundador do centro de Controlo de Missão em Houston, no Texas: "Precisamos de nova tecnologia. Não temos isso desde a Apollo. Quero dizer ao senhor Obama para avançarmos. Vamos investir no futuro".

"Apollo com esteróides"

A agência espacial norte-americana continua a acalentar planos para devolver o Homem à Lua até 2020, embora o projecto esteja em fase de reavaliação. No próximo ano, o vaivém deverá ceder o lugar à nova nave espacial Orion, o equivalente a uma cápsula que descolará sobre o poder de propulsão de um novo foguetão baptizado como Ares 1.

O objectivo último do projecto passa pela construção de uma base no satélite da Terra, com os abastecimentos a serem garantidos por um segundo foguetão, o Ares V. Para Christopher Kraft Junior, os novos sistemas de propulsão em desenvolvimento na NASA não passam de uma "Apollo com esteróides".

No evento do Museu do Ar e do Espaço, Buzz Aldrin apresentou um esquema de diapositivos com um plano para a exploração de Marte: uma viagem rápida à Lua como forma de preparação para missões à lua marciana Phobos, ao planeta vermelho e mesmo a alguns asteróides que poderão vir a colidir com a Terra.

A corrida à Lua

O primeiro homem a pisar solo lunar levou ao Museu da Smithsonian uma dissertação de 19 minutos sobre as descobertas tecnológicas que desembocaram nos acontecimentos históricos de 20 de Julho de 1969. A Apollo 11 ocupou apenas uma fracção do discurso de Neil Armstrong, que descreveu a corrida à Lua como o arquétipo de uma "competição pacífica" - então protagonizada pelas duas potências da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética.

"Não vou dizer que se tratou de uma diversão que preveniu uma guerra, ainda assim foi uma diversão. Eventualmente, facultou um mecanismo gerador de cooperação entre antigos adversários. Nesse sentido, entre outros, foi um excepcional investimento nacional para ambas as partes", sustentou o astronauta.

Armstrong deixou o futuro da exploração espacial à margem do seu discurso. Mas Aldrin trataria de o incluir no desígnio da missão a Marte: "Caminhar na Lua foi uma grande honra pessoal, mas, como Neil observou certa vez, ainda há lugares inacreditáveis a alcançar. Não é tempo de prosseguir a nossa viagem para lá da Lua?".

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