"Piratas estão aqui outra vez". Barcos de nova flotilha intercetados por militares israelitas

"Piratas estão aqui outra vez". Barcos de nova flotilha intercetados por militares israelitas

Um novo grupo de embarcações que tentava entregar ajuda à Faixa de Gaza, devastada pela guerra, foi intercetado pelas forças israelitas em águas internacionais esta quarta-feira, revelou a Coligação da Flotilha da Liberdade (FFC). Foi o segundo acontecimento do género nos últimos dias.

Cristina Sambado - RTP /
Freedom Flotilla Coalition via Reuters

Os navios e passageiros da flotilha estão em segurança, foram transferidos para um porto israelita e devem ser deportados imediatamente, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, em comunicado na rede social X.


"Mais uma tentativa inútil de violar o bloqueio naval legal e entrar numa zona de combate não resultou em nada", acrescentou o Ministério.

A Marinha de guerra israelita intercetou inicialmente três dos veleiros da flotilha a 120 milhas náuticas (220 quilómetros) de Gaza e concluiu, depois, a operação com a interceção das restantes embarcações que compõem a segunda flotilha, que partiu de Itália no final de setembro.
O incidente foi o segundo acontecimento do género nos últimos dias, depois de Israel ter intercetado cerca de 40 embarcações e detido mais de 450 ativistas, entre os quais quatro portugueses, da Flotilha Global Sumud, que também tentava entregar ajuda humanitária na Faixa de Gaza.
A Coligação da Flotilha da Liberdade (FFC) é uma rede internacional de grupos ativistas pró-palestinianos que organizam missões marítimas civis com o objetivo de romper o bloqueio israelita à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária aos palestinianos no enclave.

Coligação da Flotilha da Liberdade revelou na rede social X que "três barcos — o Gaza Sunbirds, o Alaa Al-Najjar e o Anas Al-Sharif — foram intercetados a 220 quilómetros da costa de Gaza" na manhã de quarta-feira.


A flotilha indicou que, às 3h38 (horário de Lisboa), oito navios militares israelitas cercaram os navios em águas internacionais e que pelo menos dois foram intercetados, sendo que, por volta das 4h00, também o veleiro Milad foi atacado e intercetado.
Um navio, o Conscience, que transportava mais de 90 pessoas, incluindo jornalistas e médicos, foi também atacado por um helicóptero do exército israelita, enquanto a tripulação da embarcação Milad, foi "intercetada".

A Coligação da Flotilha da Liberdade acrescentou que as forças israelitas "sequestraram a frota humanitária", adiantando que os "navios foram intercetados ilegalmente... Os participantes — humanitários, médicos e jornalistas de todo o mundo — foram levados contra a sua vontade e estão a ser mantidos em condições desconhecidas".


"O exército israelita não tem jurisdição legal sobre as águas internacionais", sublinhou. "A nossa flotilha não representa nenhum perigo".

A organização denunciou ainda a perda de mantimentos essenciais transportados pelas embarcações, no valor de mais de 95 mil euros em medicamentos, equipamento respiratório e mantimentos destinados aos hospitais de Gaza.


A flotilha, com uma tripulação de cerca de 140 pessoas, já esperava que os navios fossem intercetados no Mediterrâneo, tal como aconteceu com a Global Flotilla Sumud, que zarpou quase um mês antes da Freedom Flotilla.Dos mais de 450 participantes da anterior flotilha Sumud, seis permaneciam detidos na terça-feira na prisão israelita de Ketziot.

A missão constitui uma nova tentativa de quebrar o cerco israelita a Gaza e criar um corredor humanitário para o enclave palestiniano.

As autoridades de Gaza afirmam que cerca de 67 mil pessoas foram mortas e o enclave palestiniano foi devastado pelos ataques israelitas desde o ataque de militantes palestinianos, a 7 de outubro de 2023.

Israel diz que 1.200 pessoas foram mortas e 251 levadas para Gaza como reféns no ataque do Hamas.

Além da campanha militar, Israel bloqueou o acesso a alimentos à população civil vítima da guerra.

c/ agências 
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