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PM alerta que ciclone vai agravar a insegurança alimentar em Moçambique

PM alerta que ciclone vai agravar a insegurança alimentar em Moçambique

O ciclone tropical que atinge hoje o sul de Moçambique vai agravar a situação da segurança alimentar no país, alertou hoje a primeira-ministra moçambicana, pedindo a massificação da educação nutricional para travar a desnutrição.

Lusa /

"Neste exato momento estamos perante uma ameaça forte. Tudo indica que no dia de hoje teremos a chegada de mais um ciclone que vai devastar áreas que não foram atingidas pelas cheias iniciais. Isso vai agravar certamente aquilo que é a nossa segurança alimentar e nutricional", admitiu a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi.

Em declarações na abertura da VII Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), em Maputo, a responsável disse que as inundações de janeiro afetaram a produção agrícola, referindo que as consequências são "bastante severas" para as comunidades.

Neste contexto, sublinhou, as populações diretamente afetadas, sobretudo as que produzem alimento para o consumo, vão sofrer com insegurança alimentar.

O país ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.

Segundo a governante, o executivo constatou que zonas de produção de alimentos enfrentam "graves problemas de subnutrição", o que significa que não usam os produtos na sua dieta alimentar, pelo que defendeu uma aposta na educação nutricional para travar os casos.

"Portanto, é importante massificarmos a educação nutricional a partir da base, mas também envolvendo escolas, setor de saúde, que são locais com que as populações têm contacto mais diário - as crianças com a escola, as mães têm contacto quase permanente com os serviços de saúde", disse Maria Benvinda Levi.

Moçambique está a avançar na operacionalização de um sistema nacional de informação de segurança alimentar que vai melhorar a qualidade de dados sobre a segurança alimentar no país.

"Os desafios que temos pela frente são enormes e se não estivermos juntos continuaremos a ter muita produção em alguns locais, mas ao mesmo tempo muita gente subnutrida nos locais onde há produto de consumo adequado", acrescentou.

Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano emitiu na quinta-feira um aviso vermelho, após a tempestade tropical Gezani evoluir para ciclone tropical, prevendo-se que afete províncias moçambicanas do sul.

"A tempestade tropical Gezani evoluiu para ciclone tropical sobre o Canal de Moçambique", avisa o Inam, em comunicado, destacando que é acompanhado de um vento médio de 120 quilómetros por hora, rajadas máximas até 165 quilómetros por hora, chuvas fortes e trovoadas, podendo agitar o mar e gerar ondas até 12 metros de altura.

O Inam indicou antes que o sistema continua a mover-se em direção à província moçambicana de Inhambane, sul do país, com as autoridades a pedirem a tomada de medidas de precaução face aos ventos e chuvas fortes.

As autoridades moçambicanas apelaram na quinta-feira à retirada preventiva das populações das zonas costeiras das províncias de Inhambane, Gaza, no sul, e Sofala, no centro.

Pelo menos 36 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do ciclone Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo um novo balanço das autoridades malgaxes.

De acordo com o Inam, o Gezani poderá causar chuvas acima de 200 milímetros, acompanhadas de trovoadas e ventos fortes, em Inhambane, sul do país, principalmente nos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Jangamo, Zavala, cidade de Maxixe, além da capital provincial.

Preveem-se ainda chuvas entre 50 e 100 milímetros, acompanhadas de trovoadas e ventos fortes, para as províncias de Sofala (Centro), principalmente nos distritos de Machanga, Búzi, Nhamatanda e cidades de Dondo e Beira, Gaza (sul), nos distritos de Mandlakazi, Chongoene, Chibuto e Chigubo, sendo ainda afetados os distritos de Mabote e Funhalouro, em Inhambane, segundo o Inam.

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