PM britânico anuncia agência para travar "maré venenosa" da desinformação

PM britânico anuncia agência para travar "maré venenosa" da desinformação

O futuro Centro Nacional de Defesa da Informação pretende combater campanhas lançadas por potências estrangeiras, numa missão que reunirá serviços de informações, forças de segurança e empresas de redes sociais no Reino Unido com o objetivo de ajudar as comunidades e impedir a criação de uma narrativa "distorcida e falsa" sobre o território britânico.

Sérgio Alexandre - RTP / Adicionar como fonte informativa
EPA

O primeiro-ministro britânico referiu-se especificamente à Rússia, a quem responsabilizou por ofensivas “insidiosas” que “distorcem” aquilo que os cidadãos britânicos sentem em relação ao seu próprio país e à sua comunidade, tirando partido das atuais dificuldades económicas que tornam a comunidade mais suscetível a narrativas divisivas.

Num discurso inflamado perante a Assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, na terça-feira, Andy Burnham, que ascendeu ao cargo de primeiro-ministro do governo trabalhista em julho, insurgiu-se contra a “campanha insidiosa que entra nas casas das pessoas e distorce aquilo que sentem em relação ao seu próprio país e à sua comunidade — criando uma narrativa de declínio, alimentando a divisão e semeando o desespero.”

O governante sublinhou também um histórico de ciberataques contra as empresas e instituições britânicas ao longo da última década. “Sabemos que a Inteligência Artificial irá multiplicar a ameaça. Temos evitado enfrentar esta questão durante demasiado tempo. Cedemos demasiado terreno àqueles que querem impor uma narrativa negativa e corrosiva sobre a vida na Grã-Bretanha, que não tem qualquer semelhança com a realidade. Pois bem, isso acabou.”

Justificando a criação do Centro Nacional de Defesa da Informação, “a estrutura de que precisamos para travar esta maré venenosa”, Andy Burnham garante um futuro diferente, “de olhos bem abertos”,
para “defender os nossos valores e o Estado de Direito e ajudar a nossa população a reforçar a sua resiliência, porque, perante esta guerra de informação, a segurança começa em cada casa.”

No seu discurso, Burnham atacou diretamente a Rússia, afirmando que o Kremlin gasta mais de 1,5 mil milhões de euros por ano na manipulação da informação. 

“As agências russas utilizaram todos os meios ao seu alcance para espalhar mentiras e desinformação e explorar os receios das pessoas. Utilizaram bots e sites falsos. Artigos de jornais falsificados. Falsificaram a identidade visual de 28 organizações britânicas, incluindo universidades e a BBC. Amplificaram narrativas da extrema-direita. E temos provas de que tentaram interferir nas eleições gerais de 2019. Sabemos também que tentaram alimentar tensões e agitação na sequência de acontecimentos horríveis. A ideia de que alguém tentaria tirar partido de situações como estas é simplesmente repugnante, mas é isso que fazem”, enunciou.
Cooperação estratégica
O Reino Unido planeia partilhar com outros países a sua experiência enquanto alvo de ataques de informação e já apoiou, por exemplo, a Moldávia na proteção das suas eleições contra a interferência russa.

"À medida que se aproximam eleições em toda a Europa, mais países estão a enfrentar estas questões,
alguns pela primeira vez. Por isso, estamos preparados para partilhar o nosso conhecimento sobre a forma como estes atores operam e sobre como podemos responder — porque isto é essencial para a nossa segurança e resiliência coletivas", acrescentou Burnham.

Nesse contexto, o primeiro-ministro britânico anunciou também uma parceria entre o Reino Unido e os Estados Unidos para utilizar a Inteligência Artificial na proteção infraestruturas-chave de ambos os países contra ciberataques, anunciou o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham.

A IA "será uma ferramenta vital para nos mantermos seguros",
afirmou o chefe do Governo trabalhista.

(Com agências)
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