PM cabo-verdiano apela na ONU à mobilização para enfrentar crise climática

PM cabo-verdiano apela na ONU à mobilização para enfrentar crise climática

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Francisco Carvalho, apelou hoje à mobilização face à crise climática como uma questão de justiça, ao intervir na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A crise climática é também uma questão de justiça, porque quem menos contribui [para a crise] não pode continuar a aguentar algumas das suas consequências mais graves. A ciência já mostrou o caminho, temos de transformar esse conhecimento valioso em decisão e ação", referiu.

Francisco Carvalho falou em língua cabo-verdiana no seu primeiro discurso no debate geral da assembleia como primeiro-ministro, depois de o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que lidera, ter vencido as legislativas de 17 de maio.

A intervenção foi feita um dia depois de a tempestade tropical Gonzalo ter provocado inundações, cortes de energia e queda de árvores em várias ilhas do arquipélago.

"A crise climática já está aí: na seca, na acidificação dos oceanos, na subida de nível das águas. Vimos o que se passou [na sexta-feira] em Santa Maria, onde a água do mar entrou na avenida em frente aos hotéis", disse, numa alusão aos estragos na ilha do Sal, a mais turística do país.

"Já lançámos o desafio" de um pacto global para o clima, disse, além de Cabo Verde dinamizar conversações nas Nações Unidas, "porque para um país de ilhas, proteger o oceano não é só política de ambiente: é proteger território, economia e o futuro".

Cabo Verde vai assumir em 2027 a presidência da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS) e pretende "implementar uma agenda por um financiamento mais justo" da ação climática, a par do reforço da proteção dos oceanos.

Cabo Verde é um arquipélago árido, mas também sujeito a tempestades e chuvas repentinas.

Em agosto de 2025, a tempestade Erin matou nove pessoas na ilha de São Vicente e, em novembro, precipitação intensa provocou uma vítima mortal na ilha de Santiago.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas, 2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente desde que há registos, com o aquecimento dos oceanos a intensificar tempestades e a agravar a subida do nível do mar.

No discurso de hoje em Nova Iorque, Francisco Carvalho defendeu que o direito internacional deve prevalecer sobre a força, apoiou o multilateralismo, as reformas nas Nações Unidas para tornar a organização mais eficaz e o aumento da representação de África no Conselho de Segurança.

O primeiro-ministro cabo-verdiano citou uma expressão de Amílcar Cabral, precursor das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde: "aprender sempre" e defendeu o papel central da educação, considerando que dar oportunidade aos jovens é "proteger o planeta" e "promover a paz".

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