PM da Holanda insta ao fim da violência
O primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, instou hoje em Amesterdão ao fim da violência, numa cerimónia em honra do cineasta Theo Van Gogh, marcada pela presença de centenas de participantes que se manifestaram contra o Governo.
As celebrações da morte de Theo Van Gogh começaram hoje às 08:30 locais (mesma hora em Lisboa) na capital holandesa, um ano após o assassínio do cineasta.
Há um ano, o realizador, crítico vigoroso do Islão, Theo Van Gogh, de 47 anos, bisneto do irmão do pintor Vincent van Gogh, foi assassinado por um jovem islâmico radical numa rua de Amesterdão, na Holanda.
Mohammed Bouyeri, de 27 anos, disparou sete vezes e degolou o cineasta com uma faca, posteriormente cravada no peito da vítima com uma carta. Em Julho, o assassino foi condenado à pena de prisão perpétua.
Meses antes da morte, Van Gogh tinha realizado uma curta- metragem na qual denunciava a posição de submissão da mulher no Islão.
Presente na cerimónia realizada na rua em que o cineasta foi assassinado, o primeiro-ministro holandês afirmou que "o direito é a base da convivência" mas a sociedade também necessita de "unidade" para garantir a convivência pacífica entre culturas diferentes e grupos sociais.
"Não devemos aceitar o facto de nos deixarmos ir uns contra os outros através de pessoas que inscrevem a sua mensagem com sangue. A discriminação, o ódio (Ó) não ajudam ninguém", acrescentou o chefe de Governo.
Balkenende, que foi criticado em 2004 por não se ter deslocado pessoalmente ao local do crime, considerou: a morte de Van Gogh "atenta contra tudo o que é querido na Holanda".
Algumas centenas de participantes na cerimónia hesitaram entre o acolhimento e os fracos aplausos, tendo alguns tentando interromper o discurso do primeiro-ministro com frases hostis: "Balkenende, chegaste aqui um ano depois".
Num apelo à calma e à esperança, o presidente da câmara de Amesterdão, o social-democrata Job Cohen, também presente na cerimónia, instou os holandeses a "desenterrarem o medo para poderem viver em liberdade".
"Não há +nós+ nem +eles+, devemos todos coabitar nesta cidade mas isso não tem sentido sem esperança nem confiança", declarou, por seu lado, Job Cohen.
Citando o ex-Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt - "a única coisa de que devemos ter medo, é o medo em si" -, Cohen pediu aos seus cidadãos para "abandonarem o medo" e trabalharem numa cidade "onde as pessoas são livres de falar, pensar, acreditar no que querem".
Algumas horas depois do início das celebrações, o Presidente russo, Vladimir Putin, considerou hoje em Haia que o assassínio do cineasta holandês em nome do Islão radical e o conflito na Tchetchénia são duas facetas do mesmo problema: o terrorismo.
A morte de Van Gogh, que a Holanda hoje assinala, "é uma manifestação de um problema internacional mais vasto que se chama o terrorismo internacional", disse Putin em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro holandês, no segundo dia da visita de Estado à Holanda.
Ainda no âmbito destas celebrações, parentes e amigos próximos de Van Gogh organizaram um debate sobre a coabitação entre as diferentes comunidades que decorrerá esta tarde num hotel da capital.