PM da Nova Zelândia sobrevive a segunda votação sobre liderança do partido
O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, afirmou hoje que sobreviveu a uma segunda votação sobre a liderança entre os deputados do seu próprio partido, a menos de três meses de eleições nacionais.
A votação decorreu durante uma reunião convocada à pressa pelos deputados do Partido Nacional (centro-direita) no parlamento, em Wellington, que foi realizada à porta fechada e durou mais de três horas.
O chefe do Governo da Nova Zelândia saiu então acompanhado pelos parlamentares para fazer uma breve declaração e retirou-se sem responder às perguntas dos jornalistas.
"Houve uma votação de confiança na minha liderança esta manhã na nossa reunião de bancada", disse Luxon. "Tive o total apoio da nossa bancada, que está unida e determinada em vencer esta eleição", acrescentou.
As votações são geralmente secretas e o primeiro-ministro não disse quantos deputados votaram para que continuasse no cargo.
Esta foi a segunda votação convocada por Luxon sobre a liderança desde abril.
A votação de abril ocorreu após quedas nas sondagens para o Partido Nacional, enquanto a de hoje se seguiu a recentes declarações públicas feitas por Luxon sobre vários assuntos que alguns no movimento consideraram como gafes.
No início do mês, o primeiro-ministro disse, perante uma plateia de empresários, que alguns líderes empresariais do país tinham uma "mentalidade de pai e filho" e, com demasiada frequência, procuravam orientação junto do Governo.
Noutro episódio, o líder neozelandês foi obrigado a revelar que tinha usado uma aeronave militar para regressar a Wellington após um evento de angariação de fundos para o partido.
Luxon também surpreendeu os parlamentares este mês ao prometer um referendo sobre o sistema eleitoral da Nova Zelândia caso fosse reeleito -- aparentemente sem antes informar a bancada do partido.
Na terça-feira, o líder tomou a rara atitude de revelar que enfrentava novos rumores sobre a liderança do partido e anunciou que iria convocar uma reunião com os parlamentares para resolver a situação.
"Acredito firmemente que a divisão e a desunião são uma grande distração a apenas 90 dias das eleições", escreveu Luxon na rede social X, numa referência às eleições marcadas para 07 de novembro.
"Também acredito que esta distração é injusta para o povo da Nova Zelândia e para os dedicados candidatos, apoiantes e voluntários do Partido Nacional, quando há tanto em jogo", acrescentou.
Entretanto, os opositores políticos de Luxon criticaram a saga.
"As traições e as quezílias internas só significam mais atrasos e mais distrações para a Nova Zelândia", disse Chris Hipkins, líder da oposição e do Partido Trabalhista, de centro-esquerda.
"Se o Partido Nacional não consegue governar-se a si próprio, como podem os neozelandeses confiar que ele governará o país?", questionou Hipkins.
O Partido Nacional governa a Nova Zelândia numa coligação de direita desde as eleições de 2023. Luxon, um antigo executivo de uma companhia aérea que entrou para o parlamento em 2000, lidera o partido desde 2021.
Embora dois primeiros-ministros recentes da Nova Zelândia - John Key, do Partido Nacional, e Jacinda Ardern, do Partido Trabalhista - tenham renunciado voluntariamente ao cargo, seria extremamente invulgar que os parlamentares destituíssem um primeiro-ministro em exercício.