PM de Cabo Verde diz que decisão do Presidente do Senegal faz história em África

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, considerou hoje que a decisão do Presidente do Senegal, Macky Sall, de não concorrer a um terceiro mandato demonstra "desprendimento do poder", reforça a democracia e faz história em África.

Lusa /

"Gostaria, nesta ocasião, de destacar o Senegal e a recente decisão do Presidente Macky Sall que demonstra desprendimento do poder e defesa da estabilidade e da paz social", afirmou o chefe do Governo cabo-verdiano, ao discursar na abertura do African Caucus 2023, que decorre até sábado na ilha do Sal.

O chefe do Governo considerou que se trata de "um gesto que reforça a democracia e faz história em África e em países onde a democracia tem estado sob ataque" e agradeceu o gesto, pedindo uma salva de palmas ao Presidente do Senegal.

Macky Sall tinha defendido em várias ocasiões que tinha direito a concorrer a um terceiro mandato devido à reforma eleitoral de 2016, que reduz os anos de mandato presidencial de sete para cinco, razão pela qual considerava que o primeiro mandato não devia ser levado em conta.

Ainda assim, anunciou esta semana que não concorreria a um terceiro mandato, desencadeando várias manifestações de apoio, não só dos EUA e da UE, mas também da União Africana e das Nações Unidas, que surgem no seguimento de várias semanas de tensão e violência no Senegal.

Entretanto, o líder da oposição no Senegal, Ousmane Sonko, disse hoje que o Presidente não vai concorrer a um terceiro mandato devido à pressão popular e criticou os elogios internacionais a Sall apenas por estar a cumprir a Constituição.

"Na verdade, Macky Sall não abdicou [de concorrer a um terceiro mandato presidencial] por ser um democrata, mas sim devido à vontade popular e à pressão internacional", disse Ousmane Sonko durante um comício em Ziguinchor, a cidade onde é presidente da câmara.

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